terça-feira, fevereiro 23, 2010

Óleo Sobre Tela (XXIX)

Oskar Kokoshkcha - Praga Nostálgica (1938)

sábado, fevereiro 20, 2010

De 1791 Para 2006

Dificilmente existe alguém que nunca tenho ouvido falar de "A Flauta Mágica" ("Die Zauberflöte", no original) de Wolfgang Amadeus Mozart. Porém, em 2006, durante as comemorações dos 250 anos do nascimento de Mozart, Martin Kusej resolveu provar que esta obra se mantém actual. A acção decorre num ambiente futurista numa triste e cinzenta cidade, com personagens com óculos de sol e roupas muito modernas, onde a Rainha da Noite seduz Tamino, personagens movem-se pelo palco em roupa interior... nada parece impossível nesta produção. Com um elenco muito jovem de onde se destacam nomes de Rubem Drole (Papageno), Elena Mosuc (para mim a melhor Rainha da Noite de sempre), Christoph Strehl (Tamino) e Julia Kleiter (Pamina), esta produção causou espanto, alguma controvérsia e claro, muito sucesso. Felizmente esta produção foi gravada e encontra-se à venda em DVD editado pela "Deutsche Grammophon". Aqui fica o vídeo com a Ária Nr.14 "Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen" onde a Rainha da Noite ordena que Pamina, sua filha, assassine Sarastro. O fim... é hilariante!

Video: Deutsche Grammophon

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Adeus, Rosa

Rosa Lobato Faria
1932 - 2010

sábado, janeiro 16, 2010

Páginas Soltas

"Vi-o aqui no cemitério, avançava entre os túmulos, espectro entre os espectros. Encontrei-o, e súbito me apercebi que não tinha diante de mim um vivo, o seu rosto era o de um cadáver, os seus olhos olhavam já para as penas eternas. Naturalmente, só na manhã seguinte, sabendo da sua morte, eu compreendi que tinha encontrado o seu fantasma, mas já naquele momento me dei conta que estava a ter uma visão e que diante de mim estava uma alma danada, um lémure... Oh, Senhor, com que voz de túmulo me falou! «Estou condenado!», assim me disse. «Tal como me vês, tens diante de ti um retornado do inferno»."

Texto: Excerto de "O Nome da Rosa" de Umberto Eco

sábado, janeiro 02, 2010

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIV)

Título: Duas
Realização: Werner Schroeter
Ano: Portugal, França, Alemanha, 2002
Intérpretes: Isabelle Huppert, Bulle Ogier, Manuel Blanc
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 657)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Feliz Natal

Feliz Natal
(de preferência sem "nightmares")

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Óleo Sobre Tela (XXVIII)

Arnold Bocklin - "A Ilha dos Mortos" (1883)

sábado, dezembro 19, 2009

Páginas Soltas

"O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim. Na manhã seguinte, o desnaturado pai levantou-se cedo para pôr os arreios ao burro, preparou a lenha para o fogo do sacrifício e pôs-se a caminho para o local que o senhor lhe indicara, levando consigo dois criados e o seu filho isaac. No terceiro dia da viagem, abraão viu ao longe o lugar referido. Disse então aos criados, Fiquem aqui com o burro que eu vou lá adiante com o menino, para adorarmos o senhor e depois voltamos para junto de vocês. Quer dizer, além de tão filho da puta como o senhor, abraão era um refinado mentiroso, pronto a enganar qualquer um com a sua língua bífida, que, neste caso, segundo o dicionário privado do narrador desta história, significa traiçoeira, pérfida, aleivosa, desleal e outras lindezas semelhantes.»

Imagem:"Abraão e Isaac" de Rembrandt van Rijn
Texto: Excerto de "Cain" de José Saramago

domingo, novembro 15, 2009

Nocturno(s)

Nocturno 1:



Nocturno 2:





Imagem: "Nocturno" de Amelia Pelaez
Vídeo: "Nocturne No.1 em Si bémol menor, op. 9 no.1"
de Fréderic Chopin (interpretado por Maria João Pires)

O 4º Aniversário

Não posso dizer que esperava ver este blogue fazer quatro anos...
Nunca pensei que tinha tanto para dizer.
Conheci pessoas. Perdi pessoas.
Conheci outros pontos de vista com os quais aprendi.
Enfim, venham mais quatro anos...

quarta-feira, outubro 28, 2009

Do You Dance?

Philip Glass Dance IX de "In The Upper Room"

Este é um pequeno excerto do ballet cuja música foi composta por Philip Glass. Procurei tentar saber qual é o corpo de ballet que dança neste vídeo mas as minhas persquisas foram infrutíferas. Aqui ficam os créditos aos bailarinos.
Quem desejar ouvir esta obra de Philip Glass, poderá escolher entre dois álbuns. No primeiro, o Dancepieces, a obra encontra-se incompleta, onde se pode ouvir apenas as danças número I, II, V, VIII e IX em conjunto com as composições "Rubrics", "Facades" e "Funeral" da ópera Akhnaten.
No segundo álbum a obra encontra-se completa, mas sem os sintetizadores(!). A editora do álbum (a Orange, ou seja, a editora que mais divulga a obra de Philip Glass), justificou esta «ligeira modificação», com o facto de dar à obra uma música mais ensemble, ou seja, «apropriada»(?) para uma obra dançante.

Para quando um disco com a obra completa e exactamente como foi escrita pelo seu autor? Aguardemos...

quinta-feira, outubro 15, 2009

Foto À Minuta (VII)

"Got a Salmon on (Prawn)" de Sarah Lucas
(1994)

domingo, setembro 20, 2009

A Casa Das Histórias de Paula Rego

A Casa das Histórias de Paula Rego, situada em Cascais, foi inaugurada ao público no passado dia 18, com uma exposição temporária de obras-primas da pintora portuguesa, radicada em Londres.
A Casa das Histórias Paula Rego, que apresentará duas exposições temporárias por ano - a inaugurar na Primavera e no Outono - abre com uma dedicada a trabalhos da artista, criados entre 1987 e 2008. Esta primeira mostra inclui "obras icónicas" como a primeira obra, intitulada "Life Painting" (1954), criada enquanto estudante da Slade School of Fine Art, em Londres, até às mais recentes como "A Filha do Polícia", quadros da série "Avestruzes Bailarinas", e a célebre "Mulher Cão" (1994), primeira obra a pastel realizada por Paula Rego.
Globalmente, a colecção do novo museu conta com a totalidade da obra gráfica da artista, num total de 257 exemplares, com várias centenas de desenhos, algumas dezenas de pinturas emprestados pela artista por uma década, também de Victor Willing, seu marido já falecido, e ainda a tapeçaria com o tema "Batalha de Alcácer-Quibir", adquirida pelo município de Cascais.
Após vários anos de espera, aí está uma casa-museu onde nos poderemos deliciar com as histórias que a mais internacional pintora portuguesa, tem para nos contar.

Texto: Baseado na notícia da Lusa.
Vídeo: Sic Online.

sábado, setembro 12, 2009

Páginas Soltas


"Primeiro as cores.
Depois os humanos.
É geralmente assim que eu vejo as coisas.
Ou, pelo menos, tento.

EIS UM PEQUENO FACTO
Vocês vão morrer.

Para falar francamente, estou a tentar mostrar-me prazenteira acerca deste tópico, embora a maioria das pessoas sinta dificuldade em me acreditar, por muito que eu proteste. Por favor, confiem em mim. Eu posso definitivamente ser presenteira. Posso ser amável. Agradável. Afável. E isso só nos A's. Só não me peçam para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

REACÇÃO AO FACTO ACIMA MENCIONADO
Isto preocupa-os?
Peço-lhes - não tenham medo.
Sou seguramente justa.

É claro, uma apresentação.
Um começo.
Que é feito das minhas boas maneiras?
Podia apresentar-me devidamente, mas não é de facto necessário. Vocês conhecer-me-ão suficientemente bem e suficientemente depressa, dependendo de um amplo leque de variáveis. Basta dizer determinado ponto do tempo, me encontrarão debruçada sobre vós, tão jovial quanto possível. A vossa alma estará nos meus braços. No meu ombro pousará uma cor. Levar-vos-ei docemente comigo."


Excerto de "A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak
Imagem: Alfred Rethel

quarta-feira, setembro 09, 2009

Óleo Sobre Tela (XXVII)

Max Ernst
"A Virgem Maria Castigando o Menino Jesus Defronte de Três Testemunhas"
(1926)

quarta-feira, agosto 12, 2009

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIII)

Título: Buda Caiu de Vergonha ("Buda as Sharm Foru Rikht")
Realização: Hana Makhmalbaf
Ano: Afeganistão, 2007
Edição em DVD: Zon Lusomundo (cópia nr. 162)

Um filme realizado pela filha do realizador Mohsen Makhmalbaf
aos 19 anos de idade.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Agosto


"Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco."


Poema: "Soneto de Agosto" de Vinicius de Moraes
Imagem: "Les Amants" de René Magritte

quarta-feira, julho 29, 2009

MiNiMaL aRt (XI)

Joana Vasconcelos - "Dorothy" (2007)

"No caso do sapato Dorothy, que é, afinal, uma sandália de santo alto, o meu objectivo era chamar a atenção para a dualidade da vida actual das mulheres, da incompatibilidade entre os afazeres domésticos e a vida social activa." - Joana Vasconcelos

quinta-feira, julho 23, 2009

Óleo Sobre Tela (XXVI)

Paula Rego - " The Unicorn Artist" (2009)

Não se trata de um óleo nem de uma tela, mas sim uma litografia assinada
pela mais internacional pintora portuguesa; Paula Rego.

Segue-se o vídeo sobre a elaboração de parte desta obra no Curwen Studio (entidade comissionaria desta obra para festejar o seu 50º aniversário).

domingo, julho 19, 2009

Leitura a 100%

É verdade! - nervoso - muito... eu andava e ando terrivelmente nervoso. Mas porque dirás tu que estou louco? A doença apurou os meus sentidos, não os destruiu, não os entorpeceu. O mais apurado de todos os sentidos foi a audição. Eu ouvi todas as coisas existentes no céu e na terra. Eu ouvi muitas coisas no inferno. Como, então, posso eu estar louco? Escuta! E observa com que sobriedade, com que calma eu te posso contar a história toda.
É impossível dizer como a ideia surgiu no meu cérebro, mas uma vez concebida, assombrou-me dia e noite. Sem nenhuma objecção. Sem nenhuma paixão. Eu adorava o velho. Ele nunca me tinha enganado. Ele nunca me tinha insultado. Eu não cobiçava o ouro dele. Eu penso que era o olho dele! Sim, era isso! Ele tinha o olho de um abutre, um pálido olho azul com uma película por cima. Sempre que o olhar dele caía sobre mim o meu sangue gelava, e gradualmente - muito gradualmente - Eu decidi-me a tirar a vida ao velho e assim livrar-me do olho para sempre.
Agora este é o ponto. Imaginas-me louco. Os loucos nada sabem. Mas tu devias ter-me visto. Devias ter visto como procedi sabiamente, com que cautela, com que providência, com que dissimulação eu me pus ao trabalho! Eu nunca fui mais simpático para o velho do que durante toda a semana antes de o matar. E todas as noites, por volta da meia-noite, eu rodei a maçaneta da sua porta e abri-a - oh, com que suavidade! E depois, quando eu fiz uma abertura suficiente para a minha cabeça, eu introduzi uma lanterna com a luz oculta, completamente fechada, tapada, de tal forma que nenhuma luz saía para fora. Depois eu enfiei a cabeça. Oh, rir-te-ias de ver o quão astuciosamente introduzi a cabeça! Eu movi-a vagarosamente, muito, muito vagarosamente, para que não perturbasse o sono do velho. Levei uma hora a colocar a cabeça na frincha por forma a vê-lo deitado na cama. Hah! Teria um louco esta sagacidade? Depois, quando a cabeça estava já dentro do quarto, eu destapei a lanterna cautelosamente - oh, tão cautelosamente - cautelosamente (pois as roldanas da tampa rangiam). Eu abri só uma nesga pequena, tão estreita que apenas saiu um único raio de luz que caiu sobre o olho do abutre. Isto eu fiz por sete longas noites, todas as noites à meia-noite. Mas em todas elas o olho estava cerrado, e como tal era impossível fazer o trabalho; pois não era o velho que me atormentava, mas sim o seu olho maléfico. Todas as manhãs quando o sol nasceu, eu entrei impertinentemente no quarto e falei corajosamente com ele, chamando-o de forma carinhosa pelo seu nome, e perguntando como havia passado a noite. Assim vês que ele teria que ser um velho muito sagaz, para suspeitar que todas as noites, precisamente à meia-noite, eu o vigiava enquanto ele dormia.
Na oitava noite eu tive mais cautela do que o costume ao abrir a porta. O ponteiro dos minutos de um relógio move-se mais rapidamente do que se moveu a minha mão, Nunca antes daquela noite eu havia sentido a extensão das minhas capacidades, da minha sagacidade. Eu mal podia conter o meu sentido de triunfo. Só de pensar que ali estava eu, a abrir a porta, pouco a pouco, e ele nem sequer sonhava com as minhas secretas intenções ou pensamentos. Eu dei verdadeiramente uma risada, e talvez ele me tenha ouvido, pois mexeu-se subitamente na cama, como que alarmado. Agora deves pensar que me retirei. Mas não. O quarto dele estava tão negro como um poço com a escuridão cerrada, (pois as persianas estavam completamente fechadas, por medo dos ladrões,) e portanto eu sabia que ele não podia ver a abertura da porta, e eu continuei a empurrá-la firmemente, firmemente.
Eu tinha a cabeça lá dentro, e estava quase a abrir a lanterna, quando o meu polegar escorregou na portinhola de latão, e o velho ergueu-se da cama, gritando - "Quem está aí?"
Eu manti-me sossegado e nada disse. Durante uma hora inteira eu não mexi um músculo, e ao longo desse tempo não o ouvi deitar-se de novo. Ele ainda estava sentado na cama a ouvir, tal como eu tinha feito, noite após noite, escutando o bater dos relógios na parede.
No momento ouvi um gemido, e soube que era o gemido do terror de morte. Não era o gemido de dor ou de angústia. Oh, não! Era o som abafado que se solta do fundo da alma quando sobrecarregada de temor. Eu conhecia bem o som. Muitas noites, justamente à meia-noite quando o mundo dormia, saiu de dentro do meu próprio peito, intensificando com o seu eco espantoso os terrores que me desorientavam. Eu conhecia-o bem. Eu sabia o que velho sentia, e tinha pena dele, apesar de o meu coração dar risadas. Eu sabia que ele estava acordado desde o primeiro ligeiro ruído, quando se virou na cama. Os seus medos vinham crescendo desde então. Ele estava a tentar imaginá-los casuais, mas não foi capaz. Ele dizia para si próprio - "Não é mais do que o vento na chaminé, é apenas um rato a atravessar o chão," ou "é apenas uma tábua que rangeu, sozinha." Sim, ele tentava confortar-se com estas suposições, mas percebeu que tudo tinha sido em vão. Tudo em vão, porque a morte, ao aproximar-se dele tinha colocado a sua sombra negra diante dele, e envolvido a vítima. Foi a influência funesta (melancólica) da sombra imperceptível que o fez sentir, ainda que não pudesse ver ou ouvir, a presença da minha cabeça dentro do quarto.
Quando eu já tinha esperado muito tempo, muito pacientemente, sem o ouvir deitar, resolvi abrir um pouco, uma pequena, muito pequena frincha da lanterna. Então abri, não podes imaginar com que subtileza, até que, ao comprido um simples raio de luz, da grossura da teia de aranha, disparou da frincha da lanterna e aterrou sobre o olho de abutre.
Estava aberto, muito, muito aberto, e fiquei furioso assim que o vislumbrei. Vi-o perfeitamente. Todo um azul pálido, com um véu hediondo por cima que arrepiou as extremidades dos meus ossos. Mas não conseguia ver mais nenhuma parte do corpo do velho, pois eu tinha dirigido o raio de luz como que por instinto, precisamente para o ponto maldito.
E não te disse eu, que o que tomas por loucura não é mais do que o apuramento de sentidos? Agora, digo eu, veio aos meus ouvidos um som subtil, insípido, rápido, tal como faz um relógio quando envolvido em algodão. Eu conhecia bem esse som, também. Era a batida do coração do velho. Aumentou-me a fúria, como a batida de um tambor estimula o soldado e o encoraja.
Mas ainda aí eu me retive quieto. Eu mal respirava. Segurava a lanterna sem me mexer. Eu tentei, tão firmemente quanto pude, manter o raio de luz sobre o olho. Entretanto a infernal batida do coração aumentou. Tornou-se cada vez mais supremo! Tornou-se mais alta, digo eu, mais alta a cada instante! Entendes-me bem? Eu disse que estou nervoso: e estou. E agora no silêncio da noite, no silêncio perverso daquela casa velha, um som tão estranho como este excitou-me até ao ponto de me aterrorizar descontroladamente. No entanto, por mais uns minutos consegui reter-me quieto. Mas a batida tornou-se mais alta, mais alta! Eu pensei que o coração fosse rebentar. Agora uma nova preocupação apoderou-se de mim, o som seria ouvido por um vizinho! A hora do velho tinha chegado! Com um grito, eu abri a lanterna e saltei para dentro do quarto. Ele guinchou uma vez, só uma vez. Num instante eu arrastei-o para o chão e larguei a pesada cama em cima dele. Depois sorri alegremente, ao ver a tarefa cumprida. Mas, por muitos minutos, a batida do coração continuou com um som abafado. Isto, no entanto, não me incomodava, não seria ouvido para lá das paredes. Aos poucos cessou. O velho estava morto. Eu removi a cama e examinei o cadáver. Sim, ele estava que nem uma pedra, morto que nem uma pedra. Coloquei a minha mão sobre o coração e deixei-a lá por muitos minutos. Não havia pulsação. Estava morto que nem uma pedra. O olho dele não me perturbaria mais.
Se ainda me julgas louco, não me julgarás mais quando te descrever a sagacidade das precauções que eu tomei para ocultar o corpo. A noite desfalecia, e eu trabalhei apressadamente, mas em silêncio. Primeiro que tudo desmembrei o cadáver. Cortei a cabeça, e os braços e as pernas.
Depois retirei três tábuas do chão do quarto, e larguei tudo entre as fundações. Depois, eu voltei a colocar as tábuas tão inteligentemente, tão astuciosamente, que nenhum olho humano, nem mesmo o do velho, poderia detectar algo de errado. Não havia nada para limpar, nenhuma mancha de nenhum tipo, nem uma pinga de sangue. Eu tinha sido demasiado prudente para isso. Um tubo tinha resolvido tudo, ah! aha!
Quando eu tinha dado por terminado estes afazeres, eram quatro da manhã. Ainda tão escuro como à meia-noite. Aquando da batida da hora no relógio, vieram-me bater à porta da rua. Eu desci para abrir descontraidamente, pois o que tinha eu a temer? Entraram três homens, que se apresentaram, com perfeita suavidade, como inspectores da polícia. Um guincho tinha sido ouvido por um vizinho durante a noite, suspeições de coisas estranhas tinham sido levantadas, queixas tinham sido feitas na esquadra, e eles (inspectores) tinham sido destacados para averiguar as circunstâncias.
Eu sorri, pois o que tinha a temer? Dei-lhes as boas vindas. - O guincho - disse eu - fui eu próprio num sonho. O velho - mencionei - está ausente na província. Conduzi as minhas visitas pela casa toda. Permiti-lhes procurar, procurar bem. Finalmente, levei-os ao quarto dele. Mostrei-lhes os seus pertences, guardados, não haviam sido tocados. No entusiasmo da minha confiança, trouxe cadeiras para o quarto, e queria-os aqui para descansar das suas fadigas, enquanto eu próprio na audacidade do meu perfeito triunfo, coloquei a minha cadeira sobre o preciso lugar por trás do qual tinha largado o cadáver da vítima.
Os inspectores estavam satisfeitos. O meu comportamento tinha-os convencido. Era singularmente descontraído. Eles sentaram-se, e enquanto eu respondia alegremente, eles conversaram sobre banalidades. Mas demoraram-se. Eu senti-me a ficar pálido e desejei que partissem. A minha cabeça doía, e imaginei um zumbido nos meus ouvidos: mas eles ainda estavam sentados e ainda conversavam. O zumbido tornou-se mais claro, mas falei mais abertamente para me livrar do ruído, mas continuou e tornava-se mais definido. Até que, o fim de um tempo, eu percebi que o som não estava nos meus ouvidos.
Sem dúvida fiquei muito pálido, mas falei fluentemente, e em voz bem alta. No entanto o som aumentou - e o que podia eu fazer? Era um som abafado, insípido, rápido, bastante parecido com o som que um relógio faz quando envolvido em algodão. Eu recuperei o fôlego e no entanto os inspectores não o tinham ouvido. Eu falei mais rapidamente, mais veementemente, mas o som aumentava firmemente. Eu levantei-me e argumentei sobre futilidades, num tom agudo e gesticulando violentamente, mas o som aumentava firmemente. Porque não se iam embora? Eu desloquei-me no chão para trás e para a frente com passos fortes, como que enfurecido com as observações dos homens, mas o som aumentava firmemente. Oh Deus! Que podia eu fazer? Eu espumava. Enfureci-me, eu juro! Eu girei a cadeira na qual estava sentado, e bati-a contra as tábuas, mas o som erguia-se continuamente. Tornou-se cada vez mais alto, mais alto, mais alto! E os homens ainda conversavam agradavelmente, e sorriam. Seria possível que não estivessem a ouvir? Deus Todo-Poderoso! Não, não! Eles ouviam! Eles suspeitavam! Eles sabiam! Eles estavam a fazer troça do meu terrível medo. Assim eu pensei, e assim eu penso. Mas qualquer coisa era melhor do que esta agonia! Qualquer coisa era melhor do que esta zombaria! Eu já não podia suportar aqueles sorrisos hipócritas! Eu senti que ou gritava ou morria! E agora de novo! Escuta! Mais alto! Mais alto! Mais alto! Mais alto!
"Malvados!" eu guinchei, "Parem de disfarçar! Eu admito o que fiz! Levantem as tábuas! Aqui, aqui! É o bater do coração hediondo dele!"

Texto: "O Coração Delator" de Edgar Allan Poe
Imagens: Harry Clarke

segunda-feira, julho 13, 2009

Argumento Adaptado: As Horas

"O corpo do tordo ainda lá está (é curioso como os gatos e os cães da vizinhança não estão interessados), pequenino até mesmo para um pássaro, tão definitivamente sem vida, aqui no escuro, como uma luva perdida, este pequeno e vazio punhado de morte. Virginia pára junto dele. Agora é lixo; perdeu a beleza da tarde do mesmo modo que Virginia perdeu a sua admiração, à mesa do chá, por chávenas e casacos, do mesmo modo que o dia está a perder o seu calor. De manhã, com uma pá, Leonard recolhe pássaro, erva e rosas e deita tudo fora. Virginia pensa na muito maior quantidade de espaço que um ser ocupa na vida do que na morte, na muita ilusão de tamanho contida em gestos e movimentos, na respiração. Mortos, somos revelados nas nossas verdadeiras dimensões, que são surpreendentemente modestas. Não sentira ela, Virginia, em si mesma em espaço vazio, de uma pequenez espantosa, onde seria natural que um sentimento forte residisse?"



O livro: "As Horas" de Michael Cunningham
O filme: "As Horas" de Stephen Dalory

sábado, junho 27, 2009

Óleo Sobre Tela - XXV

Edvard Munch - A Criança Doente (1885/86)

"Estou convencido que dificilmente haverá um pintor entre eles que esgote o seu tema até, precisamente, à última gota amarga, tal como eu fiz em «A Criança Doente». Não era apenas eu próprio que estava lá sentado - eram todos os meus entes queridos".

terça-feira, junho 23, 2009

Filmes Que Provocam Fobias

Filme em questão: O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela (The Cook, The Thief, His Wife & Her Lover)
Ano: 1989
Fobia: Anglofobia possível e/ou Sitiofobia possível
Razão: Anglofobia: a maioria dos personagens são aterradores (principalmente o "thief"). Sitiofobia: Após os menús excelentes ao longo do filme, recebemos o choque do prato final apresentado no filme.

A reter: "No, it's not God, Albert. It's Michael. My lover. You vowed you would kill him, and you did. And you vowed you would eat him. Now eat him." (Georgina Spika)

PS: Um filme com a minha "british muse"... Helen Mirren!

segunda-feira, junho 15, 2009

MiNiMaL aRt (XI)


"Oh! Charlie, Charlie, Charlie" de Charles Ray
(1992)

quarta-feira, junho 10, 2009

Páginas Soltas

"Os velhotes já se tinham ido deitar. Giles dobrou o jornal e apagou a luz. Era a primeira vez durante todo o dia que os deixavam a sós, e ambos permaneceram em silêncio. Agora, sem a presença de mais ninguém, o ódio tornava-se visível; o mesmo se passava com o amor. Era necessário que brigassem antes de se deitar; depois da briga, haveria tempo para se abraçarem. Era provável que desse abraço nascesse outra vida. Mas primeiro tinham de lutar, como os cães de caça lutam com as raposas, no coração do negrume, nos campos da noite".


Texto: Excerto de "Entre os Actos" de Virginia Woolf
Imagem: Fotograma de "À ma Soeur" de Catherine Breillat

quinta-feira, maio 07, 2009

Óleo Sobre Tela (XXIV)

El Greco
"The Agony in the Garden"
(1595)

sábado, abril 25, 2009

Cahiers Du Cinéma Portugais - VI

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Rádio Clube Português emite a célebre e interdita canção de Zeca Afonso, "Grândola Vila Morena". Trata-se um código combinado com o clandestino Movimento das Forças Armadas que nessa madrugada levou um grupo de capitães a executar um golpe de estado e acabar com o regime do Estado Novo. O capitão Salgueiro Maia marcha com o seu regimento sobre Lisboa, decidido a tomar a capital sem derramamento de sangue. Entretanto, Manuel, um outro veterano da guerra de África, toma com um punhado de camaradas o Rádio Clube Português que se vai transformar no centro difusor do progresso da revolução. Maia chega a Lisboa e estaciona-se no Quartel do Carmo onde espera uma reacção de Marcelo Caetano.


"Capitães de Abril" foi o projecto mais arrojado da carreira da actriz Maria de Medeiros, na sua qualidade de realizadora. Trata-se de uma das mais impressionantes produções do cinema português e a mais cara à data da sua produção (900.000 contos). Após 13 anos de amadurecimento e partindo das memórias do capitão Salgueiro Maia, Maria recria com sensibilidade e emotividade o dia que mudou um país. Um golpe de estado absolutamente genial, na sua concepção e execução, que espantou o Mundo e que Maria aborda com contagiante entusiasmo, misturando personagens reais com imaginários. Um belo filme de reconstituição histórica, montado com sinceridade, romantismo e inteligência, que é no limite uma justa homenagem à memória de Salgueiro Maia e a um dia inesquecível que mudou Portugal.


Título: "Capitães de Abril"
Realização: Maria de Medeiros
Produção: Jacques Bidou
Intérpretes: Stephano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Frédéric Pierrot, Fele Martinez, Luís Miguel Cintra
Ano: 1999
Edição em DVD: Lusomundo


Imagem e vídeo: Lusomundo
Post já publicado no blog "O Bar de Ossian"

sábado, abril 18, 2009

MiNiMaL aRt (MuSiC pHaSe) - II

György Ligeti
«Poème Symphonique for 100 Metronomes»
(1963)

segunda-feira, abril 06, 2009

Óleo Sobre Tela (XXIV)

Gustave Courbet - "The Wrestlers" (1853)

segunda-feira, março 30, 2009

Foto À Minuta (VI)

" Untitled (As Marilyn Monroe)" de Cindy Sherman
(1982)

sábado, março 28, 2009

O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - II

Baseado na série "Twin Peaks", este é o comercial (dividido em três partes), que David Lynch realizou em 1991 para o café "Georgia". Resumidamente, o comercial conta a história de um japonês que procura a sua mulher que desapareceu misteriosamente. Cooper decifra as pistas que o levam ao Black Lodge. É claro que entre as pistas, há sempre tempo para saborear um bom café...

Comercial 1:

Comercial 2:

Comercial 3:

Vídeos: http://lynchnet.com

sexta-feira, março 13, 2009

Títulos Da Minha Videoteca (XII)

Título: Um Tempo Para Cavalos Bêbados
Realização: Bahman Ghobadi
Ano: Irão, 2000
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 415)

Indiscutivelmente um dos meus filmes predilectos.
Um dos filmes que me ajudou a descobrir o cinema do médio-oriente.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Para Ti

«Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto a espuma, e sangue, e cântigos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.»


Poema e imagem: José Régio

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Óleo Sobre Tela - XXIII

«Untitled» de Keith Harring (1988)

sábado, janeiro 31, 2009

Cahiers Du Cinéma Portugais (V)

Que imprudente ideia, a do príncipe, ter interrompido Branca de Neve no melhor dos sonos e, com um beijo que ela negará sempre, retirá-la do caixão de vidro para a restituir à vida, isto é, à carne, e arrogar-se direitos sobre ela. Se Branca de Neve deseja morrer ou regressar ao país dos seus anões, é porque não está convencida da boa-fé da rainha. A sua madrasta não quis envenená-la? Quando Branca de Neve, salva pelo príncipe, voltou à vida, a rainha, graças aos seus beijos, não incitou, acto contínuo, o caçador a apunhalá-la? Baseado na obra «Schneewittchen» do escritor suisso Robert Walser, João César Monteiro assina este «Branca de Neve» em 2000, três anos antes de «Vai e Vem», a derradeira obra de um dos mais conceituados cineastas portugueses. Apesar desta obra ter gerado uma grande polémica em Portugal devido à quase inexistência de imagens, este filme foi muito bem recebido pelos críticos de todo o Mundo (mais uma vez, a excepção foi Portugal).

«É preciso morrer para aprender a viver, e o filme experimenta com graça esse outro-mundo. Em todo o caso, para evocar Walser, Monteiro, passa pela obra.» - Jean-Marc Lalanne; "Libération".

«Arrisquemos hipóteses. A provocação dadaísta, a imprecação epistolar, a estalada no gosto do público. A proximidade espiritual do cineasta e do escritor, sob o signo do humor melancólico, da tentação epicurista, da impossível procura pela beleza, e da loucura que ronda. O texto walseriano é admiravelmente dito em português.» - Jacques Mandelbaum; "Le Monde".

«Filme afrontosamente teórico e consagrado à perda da luz ou às incestuosas relações imagem/som, «Branca de Neve» é sobretudo um grande filme sensual, onde a ressurreição da heroína do conto as suas hesitações entre desaparecimento doloroso e esperança de retorno, perdão e ressentimento, não são tratados senão através da matéria fílmica.» - Frédéric Bonnaud; "Les Inrockuptibles".

«Uma obra prima de síntese e de provocação às últimas consequências. Assina-a, não por acaso, um génio do cinema contemporâneo como João César Monteiro. Há no trabalho de Monteiro muito do que é hoje em dia reflexão sobre o corpo cinema. Este filme é uma magnífica lição de cinema.» - Cristina Piccino; "Il Manifesto".



"Mais do que ver, gostaria de ouvir" - Robert Walser


Vídeo e imagem: Madragoa Filmes
Post já publicado no blog "O Bar do Ossian"

segunda-feira, janeiro 26, 2009

MiNiMaL aRt (X)

"Forty Years at MoMA" de Richard Serra

"The viewer becomes aware of himself and of his movement through the plaza. As he moves, the sculpture changes. Contraction and expansion of the sculpture result from the viewer's movement. Step by step the perception not only of the sculpture but of the entire environment changes." - Richard Serra

terça-feira, janeiro 20, 2009

And That Is The Longing... And This Is The Book

" I can't make the hills
The system is shot
I'm living on pills
For which I thank God.

I followed the course
From chaos to art
Desire the horse
Depression the cart

I sailed like a swan
I sank like a rock
But time is long gone
Past my laughing stock

My page was too white
My ink was too thin
The day wouldn't write
What the night pencilled in

My animal howls
My angel's upset
But I'm not allowed
A trace of regret

For someone will use
What I couldn't be
My heart will be hers
Impersonally

She'll step on the path
She'll see what I mean
My will cut in half
And freedom between

For less than a second
Our lives will collide
The endless suspended
The door open wide

Then she will be born
To someone like you
What no one has done
She'll continue to do

I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book."



Texto: "The Book of Longing" de Leonard Cohen
Imagem: Leonard Cohen

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Sugestão Musical

Alienação. Horror. Manipulação psicológica. Desespero. Sofrimento.
Tudo isto se encontra em abundância no disco "Schrei X" de Diamanda Galás. No interior do disco encontramos uma advertência: tocar o disco no volume máximo pois não se trata de música ambiente. Logo após os primeiros segundos entramos no universo de Diamanda Galás, onde ela grita, geme, pratica glossolalia e arranha, arrasando-nos completamente com a sua voz que atinge uma série de três oitavas e meia. Para muitos (eu, incluído) este trabalho é um prazer auditivo; para outros tantos trata-se de uma tortura auditiva.






SCHREI X
1996 - MUTE

Schrei X live:
01: Do Room
02: I— I Am— Dreams
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Abasement
06: Headbox
07: Cunt
08: Hepar
09: Coitum
10: Vein
11: M Dis II
12: Smell
13: Hee Shock Die

Schrei 27:
01: Do Room
02: I I
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Headbox
06: Cunt
07: Hepar
08: Vein
09: M Dis II
10: Smell
11: Hee Shock Die

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Arte: Frases Ditas

"I am interested in the cycle of expectation, the failure of the ideal
and the purity of anticipation." - Michael Sirianni


Imagem: "Untitled #1" de Michael Sirianni

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Uma Lição De Pintura Por Paula Rego

O processo criativo de uma das mais originais e
conceituadas artistas pláticas portuguesas.
Palavras para quê? É Paula Rego!

(vídeo: "A Dantesca Casa de Bonecas de Paula Rego" - Expresso Multimédia)

domingo, dezembro 21, 2008

Merry Christmas

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Óleo Sobre Tela - XXII

Graça Morais
"O Sagrado e o Profano - O Interdito Transformado" - 1987

sábado, novembro 29, 2008

In Memoriam

"Nunca mais serei
um homem puro nem
impuro. Deixei de ser
quem julguei ser - um rio
independente. Agora
sou apenas uma sombra perdida
no mar de névoa
a que chamam vida."

Imagem: Mr. Lynch
Poema: "Nunca mais serei" de Casimiro de Brito
Este post também se encontra disponível no blog "O BAR DO OSSIAN"

quarta-feira, novembro 26, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XV)

"Wherever, whatever, have a nice day!"

Título: My Own Private Idaho
Ano: 1991
Realização: Gus Van Sant
Intérpretes: River Phoenix, Keanu Reeves, James Russo, Grace Zabriskie, Udo Kier
Edição em DVD: Afilm (edição belga)

terça-feira, novembro 18, 2008

Colecção 2007

Durante os quase três anos de existência deste blog, várias foram as obras pictóricas que aqui publiquei. Aqui estão compiladas as apresentadas em 2007.

domingo, novembro 16, 2008

segunda-feira, novembro 10, 2008

"É preciso fazer despertar a sensação de que a vida desliza tranquilamente. No momento em que conseguimos isso, estamos tão próximos da morte como da vida. Já não vivemos, segundo os nossos conceitos terrenos mas também já não podemos morrer, pois, com a vida, eliminamos a morte. É o momento da imortalidade, o momento em que a alma sai da estreiteza do nosso cérebro e penetra nos maravilhosos jardins da sua própria vida."

Robert Musil - "O Jovem Törless"

sábado, outubro 25, 2008

MiNiMaL aRt (IX)

"Barbie Loves Ken, Ken Loves Barbie" de Ghada Amer
(1995)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Argumento Adaptado: A Pianista

O LIVRO:
"Amará o seu domador o antigo animal selvagem, hoje animal de circo? Pode ser que sim, mas não é obrigatório. Dependem ambos um do outro, de forma desesperada. Um precisa do outro para se inchar como um sapo-rei, ajudado pelas habilidades daquele à luz dos holofotes, e para o Barrabás da música, o outro precisa deste para possuir um ponto de referência no meio do caos generalizado que lhe ofusca o olhar. O animal tem de saber o que fica por cima e o que fica por baixo, senão de repente aparece a fazer o pino. Sem um treinador, o animal estaria condenado a precipitar-se desamparado em queda livre, ou a vagar à deriva no espaço e estraçalhar com dentes, garras e goelas, sem critério, tudo que se lhe cruza no caminho. Porém, assim, há sempre alguma pessoa que lhe diz o que vale a pena fruir. E o seu amo, o domador, faz estalar o chicote! Ora louva, ora castiga, é conforme. É conforme o merecimento do animal."



O FILME:

(Atalanta Filmes)


O livro: "A Pianista" de Elfriede Jelinek
O filme: "A Pianista" de Michael Haneke

terça-feira, outubro 14, 2008

Óleo Sobre Tela (XX)

Paula Rego
"Celestina's House" - 2001

Encontra-se patente no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio dos Anjos em Algés, uma retrospectiva da obra de Paula Rego. Desde os anos 50 até à actualidade, são 73 as obras apresentadas nesta exposição. Uma excelente oportunidade para ver a evolução da artista ao longo do tempo.

sábado, outubro 11, 2008

Prémio Dardos


No dia 11 de Setembro, a Cláudia I. Vetter atribuiu a este blogue o prémio literário digital «Prémio Dardos». Vindo de uma pessoa que constrói majestosos e mágicos castelos com meras palavras, este prémio possui um grande significado para mim. Muito obrigado, amiga Cláudia.

Segundo o procedimento, aqui vão as explicações de atribuição do prémio:

''Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que de alguma forma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

O Prêmio Dardos tem certas regras:

1. Aceitar exibir a distinta imagem (que está ao lado direito desta tela).

2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.

3. Escolher quinze 15 blogs para entregar o "Prêmio Dardos. "

Apesar de existirem muitos blogues que certamente merecem este prémio, apenas tive oportunidade de escolher 15. De uma forma inteiramente aleatória, aqui estão, aqueles tais blogues que se encontram sempre presentes na minha lista de leitura:

Corpo Visível de Corpo Visível

O Retrato da Nudez Eólica de Cláudia I. Vetter

Crónicas da Peste
de Klatuu o Embuçado


Wolkengedanken de Wolkengedanken


Há Fogo da Lua de Isobel


Bettips de Bettips


Templo da Estátua Viva de Magnetikmoon


Free Will de Wolf_Angel

Mundo Azul de Mundo Azul

O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - I

"Gucci by Gucci"
- Anúncio publicitário realizado por David Lynch -


quinta-feira, outubro 02, 2008

Colecção 2005/2006


Durante os quase três anos de existência deste blog, várias foram as obras pictóricas que aqui publiquei. Aqui estão compiladas as apresentadas entre 2005/2006.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Foto À Minuta (X)

"Montgomery Clift... Glamour Boy In Baggy Pants" de Stanley Kubrick
(1949)

sábado, setembro 20, 2008

"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.
Le consentiment. Le consentiment.
E, na verdade, quantas vezes o amor desfaz o casamento..."

Texto: Paul Claudel - "Le Solier de Satin"
Imagem: Roy Lichtenstein - "Kiss V"