quinta-feira, maio 07, 2009

Óleo Sobre Tela (XXIV)

El Greco
"The Agony in the Garden"
(1595)

sábado, abril 25, 2009

Cahiers Du Cinéma Portugais - VI

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Rádio Clube Português emite a célebre e interdita canção de Zeca Afonso, "Grândola Vila Morena". Trata-se um código combinado com o clandestino Movimento das Forças Armadas que nessa madrugada levou um grupo de capitães a executar um golpe de estado e acabar com o regime do Estado Novo. O capitão Salgueiro Maia marcha com o seu regimento sobre Lisboa, decidido a tomar a capital sem derramamento de sangue. Entretanto, Manuel, um outro veterano da guerra de África, toma com um punhado de camaradas o Rádio Clube Português que se vai transformar no centro difusor do progresso da revolução. Maia chega a Lisboa e estaciona-se no Quartel do Carmo onde espera uma reacção de Marcelo Caetano.


"Capitães de Abril" foi o projecto mais arrojado da carreira da actriz Maria de Medeiros, na sua qualidade de realizadora. Trata-se de uma das mais impressionantes produções do cinema português e a mais cara à data da sua produção (900.000 contos). Após 13 anos de amadurecimento e partindo das memórias do capitão Salgueiro Maia, Maria recria com sensibilidade e emotividade o dia que mudou um país. Um golpe de estado absolutamente genial, na sua concepção e execução, que espantou o Mundo e que Maria aborda com contagiante entusiasmo, misturando personagens reais com imaginários. Um belo filme de reconstituição histórica, montado com sinceridade, romantismo e inteligência, que é no limite uma justa homenagem à memória de Salgueiro Maia e a um dia inesquecível que mudou Portugal.


Título: "Capitães de Abril"
Realização: Maria de Medeiros
Produção: Jacques Bidou
Intérpretes: Stephano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Frédéric Pierrot, Fele Martinez, Luís Miguel Cintra
Ano: 1999
Edição em DVD: Lusomundo


Imagem e vídeo: Lusomundo
Post já publicado no blog "O Bar de Ossian"

sábado, abril 18, 2009

MiNiMaL aRt (MuSiC pHaSe) - II

György Ligeti
«Poème Symphonique for 100 Metronomes»
(1963)

segunda-feira, abril 06, 2009

Óleo Sobre Tela (XXIV)

Gustave Courbet - "The Wrestlers" (1853)

segunda-feira, março 30, 2009

Foto À Minuta (VI)

" Untitled (As Marilyn Monroe)" de Cindy Sherman
(1982)

sábado, março 28, 2009

O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - II

Baseado na série "Twin Peaks", este é o comercial (dividido em três partes), que David Lynch realizou em 1991 para o café "Georgia". Resumidamente, o comercial conta a história de um japonês que procura a sua mulher que desapareceu misteriosamente. Cooper decifra as pistas que o levam ao Black Lodge. É claro que entre as pistas, há sempre tempo para saborear um bom café...

Comercial 1:

Comercial 2:

Comercial 3:

Vídeos: http://lynchnet.com

sexta-feira, março 13, 2009

Títulos Da Minha Videoteca (XII)

Título: Um Tempo Para Cavalos Bêbados
Realização: Bahman Ghobadi
Ano: Irão, 2000
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 415)

Indiscutivelmente um dos meus filmes predilectos.
Um dos filmes que me ajudou a descobrir o cinema do médio-oriente.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Para Ti

«Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto a espuma, e sangue, e cântigos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.»


Poema e imagem: José Régio

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Óleo Sobre Tela - XXIII

«Untitled» de Keith Harring (1988)

sábado, janeiro 31, 2009

Cahiers Du Cinéma Portugais (V)

Que imprudente ideia, a do príncipe, ter interrompido Branca de Neve no melhor dos sonos e, com um beijo que ela negará sempre, retirá-la do caixão de vidro para a restituir à vida, isto é, à carne, e arrogar-se direitos sobre ela. Se Branca de Neve deseja morrer ou regressar ao país dos seus anões, é porque não está convencida da boa-fé da rainha. A sua madrasta não quis envenená-la? Quando Branca de Neve, salva pelo príncipe, voltou à vida, a rainha, graças aos seus beijos, não incitou, acto contínuo, o caçador a apunhalá-la? Baseado na obra «Schneewittchen» do escritor suisso Robert Walser, João César Monteiro assina este «Branca de Neve» em 2000, três anos antes de «Vai e Vem», a derradeira obra de um dos mais conceituados cineastas portugueses. Apesar desta obra ter gerado uma grande polémica em Portugal devido à quase inexistência de imagens, este filme foi muito bem recebido pelos críticos de todo o Mundo (mais uma vez, a excepção foi Portugal).

«É preciso morrer para aprender a viver, e o filme experimenta com graça esse outro-mundo. Em todo o caso, para evocar Walser, Monteiro, passa pela obra.» - Jean-Marc Lalanne; "Libération".

«Arrisquemos hipóteses. A provocação dadaísta, a imprecação epistolar, a estalada no gosto do público. A proximidade espiritual do cineasta e do escritor, sob o signo do humor melancólico, da tentação epicurista, da impossível procura pela beleza, e da loucura que ronda. O texto walseriano é admiravelmente dito em português.» - Jacques Mandelbaum; "Le Monde".

«Filme afrontosamente teórico e consagrado à perda da luz ou às incestuosas relações imagem/som, «Branca de Neve» é sobretudo um grande filme sensual, onde a ressurreição da heroína do conto as suas hesitações entre desaparecimento doloroso e esperança de retorno, perdão e ressentimento, não são tratados senão através da matéria fílmica.» - Frédéric Bonnaud; "Les Inrockuptibles".

«Uma obra prima de síntese e de provocação às últimas consequências. Assina-a, não por acaso, um génio do cinema contemporâneo como João César Monteiro. Há no trabalho de Monteiro muito do que é hoje em dia reflexão sobre o corpo cinema. Este filme é uma magnífica lição de cinema.» - Cristina Piccino; "Il Manifesto".



"Mais do que ver, gostaria de ouvir" - Robert Walser


Vídeo e imagem: Madragoa Filmes
Post já publicado no blog "O Bar do Ossian"

segunda-feira, janeiro 26, 2009

MiNiMaL aRt (X)

"Forty Years at MoMA" de Richard Serra

"The viewer becomes aware of himself and of his movement through the plaza. As he moves, the sculpture changes. Contraction and expansion of the sculpture result from the viewer's movement. Step by step the perception not only of the sculpture but of the entire environment changes." - Richard Serra

terça-feira, janeiro 20, 2009

And That Is The Longing... And This Is The Book

" I can't make the hills
The system is shot
I'm living on pills
For which I thank God.

I followed the course
From chaos to art
Desire the horse
Depression the cart

I sailed like a swan
I sank like a rock
But time is long gone
Past my laughing stock

My page was too white
My ink was too thin
The day wouldn't write
What the night pencilled in

My animal howls
My angel's upset
But I'm not allowed
A trace of regret

For someone will use
What I couldn't be
My heart will be hers
Impersonally

She'll step on the path
She'll see what I mean
My will cut in half
And freedom between

For less than a second
Our lives will collide
The endless suspended
The door open wide

Then she will be born
To someone like you
What no one has done
She'll continue to do

I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book."



Texto: "The Book of Longing" de Leonard Cohen
Imagem: Leonard Cohen

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Sugestão Musical

Alienação. Horror. Manipulação psicológica. Desespero. Sofrimento.
Tudo isto se encontra em abundância no disco "Schrei X" de Diamanda Galás. No interior do disco encontramos uma advertência: tocar o disco no volume máximo pois não se trata de música ambiente. Logo após os primeiros segundos entramos no universo de Diamanda Galás, onde ela grita, geme, pratica glossolalia e arranha, arrasando-nos completamente com a sua voz que atinge uma série de três oitavas e meia. Para muitos (eu, incluído) este trabalho é um prazer auditivo; para outros tantos trata-se de uma tortura auditiva.






SCHREI X
1996 - MUTE

Schrei X live:
01: Do Room
02: I— I Am— Dreams
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Abasement
06: Headbox
07: Cunt
08: Hepar
09: Coitum
10: Vein
11: M Dis II
12: Smell
13: Hee Shock Die

Schrei 27:
01: Do Room
02: I I
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Headbox
06: Cunt
07: Hepar
08: Vein
09: M Dis II
10: Smell
11: Hee Shock Die

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Arte: Frases Ditas

"I am interested in the cycle of expectation, the failure of the ideal
and the purity of anticipation." - Michael Sirianni


Imagem: "Untitled #1" de Michael Sirianni

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Uma Lição De Pintura Por Paula Rego

O processo criativo de uma das mais originais e
conceituadas artistas pláticas portuguesas.
Palavras para quê? É Paula Rego!

(vídeo: "A Dantesca Casa de Bonecas de Paula Rego" - Expresso Multimédia)

domingo, dezembro 21, 2008

Merry Christmas

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Óleo Sobre Tela - XXII

Graça Morais
"O Sagrado e o Profano - O Interdito Transformado" - 1987

sábado, novembro 29, 2008

In Memoriam

"Nunca mais serei
um homem puro nem
impuro. Deixei de ser
quem julguei ser - um rio
independente. Agora
sou apenas uma sombra perdida
no mar de névoa
a que chamam vida."

Imagem: Mr. Lynch
Poema: "Nunca mais serei" de Casimiro de Brito
Este post também se encontra disponível no blog "O BAR DO OSSIAN"

quarta-feira, novembro 26, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XV)

"Wherever, whatever, have a nice day!"

Título: My Own Private Idaho
Ano: 1991
Realização: Gus Van Sant
Intérpretes: River Phoenix, Keanu Reeves, James Russo, Grace Zabriskie, Udo Kier
Edição em DVD: Afilm (edição belga)

terça-feira, novembro 18, 2008

Colecção 2007

Durante os quase três anos de existência deste blog, várias foram as obras pictóricas que aqui publiquei. Aqui estão compiladas as apresentadas em 2007.

domingo, novembro 16, 2008

segunda-feira, novembro 10, 2008

"É preciso fazer despertar a sensação de que a vida desliza tranquilamente. No momento em que conseguimos isso, estamos tão próximos da morte como da vida. Já não vivemos, segundo os nossos conceitos terrenos mas também já não podemos morrer, pois, com a vida, eliminamos a morte. É o momento da imortalidade, o momento em que a alma sai da estreiteza do nosso cérebro e penetra nos maravilhosos jardins da sua própria vida."

Robert Musil - "O Jovem Törless"

sábado, outubro 25, 2008

MiNiMaL aRt (IX)

"Barbie Loves Ken, Ken Loves Barbie" de Ghada Amer
(1995)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Argumento Adaptado: A Pianista

O LIVRO:
"Amará o seu domador o antigo animal selvagem, hoje animal de circo? Pode ser que sim, mas não é obrigatório. Dependem ambos um do outro, de forma desesperada. Um precisa do outro para se inchar como um sapo-rei, ajudado pelas habilidades daquele à luz dos holofotes, e para o Barrabás da música, o outro precisa deste para possuir um ponto de referência no meio do caos generalizado que lhe ofusca o olhar. O animal tem de saber o que fica por cima e o que fica por baixo, senão de repente aparece a fazer o pino. Sem um treinador, o animal estaria condenado a precipitar-se desamparado em queda livre, ou a vagar à deriva no espaço e estraçalhar com dentes, garras e goelas, sem critério, tudo que se lhe cruza no caminho. Porém, assim, há sempre alguma pessoa que lhe diz o que vale a pena fruir. E o seu amo, o domador, faz estalar o chicote! Ora louva, ora castiga, é conforme. É conforme o merecimento do animal."



O FILME:

(Atalanta Filmes)


O livro: "A Pianista" de Elfriede Jelinek
O filme: "A Pianista" de Michael Haneke

terça-feira, outubro 14, 2008

Óleo Sobre Tela (XX)

Paula Rego
"Celestina's House" - 2001

Encontra-se patente no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio dos Anjos em Algés, uma retrospectiva da obra de Paula Rego. Desde os anos 50 até à actualidade, são 73 as obras apresentadas nesta exposição. Uma excelente oportunidade para ver a evolução da artista ao longo do tempo.

sábado, outubro 11, 2008

Prémio Dardos


No dia 11 de Setembro, a Cláudia I. Vetter atribuiu a este blogue o prémio literário digital «Prémio Dardos». Vindo de uma pessoa que constrói majestosos e mágicos castelos com meras palavras, este prémio possui um grande significado para mim. Muito obrigado, amiga Cláudia.

Segundo o procedimento, aqui vão as explicações de atribuição do prémio:

''Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que de alguma forma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

O Prêmio Dardos tem certas regras:

1. Aceitar exibir a distinta imagem (que está ao lado direito desta tela).

2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.

3. Escolher quinze 15 blogs para entregar o "Prêmio Dardos. "

Apesar de existirem muitos blogues que certamente merecem este prémio, apenas tive oportunidade de escolher 15. De uma forma inteiramente aleatória, aqui estão, aqueles tais blogues que se encontram sempre presentes na minha lista de leitura:

Corpo Visível de Corpo Visível

O Retrato da Nudez Eólica de Cláudia I. Vetter

Crónicas da Peste
de Klatuu o Embuçado


Wolkengedanken de Wolkengedanken


Há Fogo da Lua de Isobel


Bettips de Bettips


Templo da Estátua Viva de Magnetikmoon


Free Will de Wolf_Angel

Mundo Azul de Mundo Azul

O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - I

"Gucci by Gucci"
- Anúncio publicitário realizado por David Lynch -


quinta-feira, outubro 02, 2008

Colecção 2005/2006


Durante os quase três anos de existência deste blog, várias foram as obras pictóricas que aqui publiquei. Aqui estão compiladas as apresentadas entre 2005/2006.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Foto À Minuta (X)

"Montgomery Clift... Glamour Boy In Baggy Pants" de Stanley Kubrick
(1949)

sábado, setembro 20, 2008

"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.
Le consentiment. Le consentiment.
E, na verdade, quantas vezes o amor desfaz o casamento..."

Texto: Paul Claudel - "Le Solier de Satin"
Imagem: Roy Lichtenstein - "Kiss V"

segunda-feira, setembro 15, 2008

Óleo Sobre Tela (XIX)

Jean Honoré Fragonard
"O Ferrolho" - 1778

Madonna: Sticky and Sweet em Lisboa

Ontem uns amigos ofertaram-me um bilhete-surpresa para o concerto da Madonna. Chegámos escassos minutos antes do início (eram cerca das 21:00h) e após algumas deambulações pelo parque da Bela Vista, lá conseguimos encontrar um local propício (dentro do razoável) ao visionamento. Após o concerto fiquei com uma certeza: pode-se gostar ou não da Madonna, mas ela sabe como dar um espectáculo!

Este foi o meu momento favorito; "Devil Wouldn't Recognize You", uma das poucas baladas que Madonna interpretou. De resto, (e como diria a «malta nova»), «foi sempre a bombar»!).

Foto: De e proveniente do telemóvel pobrezinho do Mr. Lynch...
Vídeo: Encontrado no Youtube

sábado, setembro 06, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIV)

Título: Sexo, Mentiras e Video (Sex, Lies and Videotape)
Ano: 1989
Realização: Steven Soderbergh
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 3067)

quarta-feira, setembro 03, 2008

Foto À Minuta - V

"Afghan Girl"
de Steve McCurry (1984)

sábado, agosto 30, 2008

Music N' Sounds

Uakti era um ser que vivia nas margens do Rio Negro na Amazónia, Brasil. O seu corpo encontra-se trespassado por furos que, ao serem atravessados pelo vento, emitiam sons que encantavam as mulheres da tribo Tukano. Os homens da tribo perseguiram Uakti e mataram-o. No local onde este ser foi enterrado nasceram palmeiras que os índios usam para fazer flautas. O som destas flautas é inconfundível: é o som que o o corpo de Uakti emitia.

Se esta história é apenas uma lenda, o grupo Uakti é bem real. Formado em 1978, os Uakti rapidamente ganharam uma grande legião de admiradores. O seu som único (constituído por instrumentos musicais construídos pelos membros do grupo) fizeram-nos trabalhar com musicos tais como Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Paul Simon e com o compositor Philip Glass.
A minha sugestão musical vai para o disco "Águas da Amazónia", uma composição de Philip Glass. Em 1993 Philip Glass é comissionado pelo Grupo Corpo para compôr uma peça para ballet. O compositor escolheu o grupo Uakti para executar a sua obra "Águas da Amazónia - Sete ou Oito Peças para Ballet". O arranjo das composições para os instrumentos do grupo foi entregue a Marco Antônio Guimarães (o líder do grupo) que se tornou no primeiro músico que efectuou arranjos na música de Philip Glass. Em 1999 foi editado "Águas da Amazónia".

01: Tiquie River
02: Japura River
03: Negro River
04: Madeira River
05: Purus River
06: Tapajos River
07: Paru River
08: Xingu River
09: Amazon River
10: Metamorphosis 1

segunda-feira, agosto 25, 2008

"Eu a feri-la ferindo-me. Apetecia-me bater-lhe como se me batesse."

Texto: Extracto de "A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes
Imagem: "O Macaco Vermelho Bate na Mulher" (1981) de Paula Rego

sexta-feira, agosto 22, 2008

.

Considerava-me imortal; soube, com horrível violência, que o não era. Ter passado o que passei alterou-me por completo a existência e suponho que modificou também o que produzo. Os médicos não tratam: tornam a dar-nos a eternidade sob a forma de um infinito futuro, isto é uma porção limitada de dias que apesar de tudo acreditamos, contra a evidência, não terminar nunca. Agora tenho essa eternidade. Por quanto tempo não sei; o silêncio rodeia-nos por toda a parte, quer dizer, a ameaça dele. Não podemos deixar que ele nos assuste. Gastei meses a encostar o ouvido à terra do meu corpo, tenso, à espera. Agora não: fico de pé na minha teimosa precariedade.

António Lobo Antunes
Extracto de "Morto Cobrido de Amor" in "Visão" de 7 de Julho

segunda-feira, agosto 18, 2008

MiNiMaL aRt (VIII)

"Pont Neuf Emballé" de Christo
(1975)

sábado, agosto 09, 2008

sexta-feira, agosto 08, 2008

Óleo Sobre Tela (XVIII)

1 2
3
Francis Bacon
"Três Estudos para Figuras na Base de uma Crucifixação" - 1944
(tríptico; 1 - painel esquerdo; 2 - painel central; 3 - painel direito)

quarta-feira, agosto 06, 2008

Frases Famosas (XI)

"Se perdermos a guerra, não me preocupa que as pessoas nela morram. Não verterei uma única lágrima".

Bruno Ganz como Adolf Hitler em "Der Untergang" (2004)

domingo, agosto 03, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

Foto À Minuta - IV

"Bricks Are Heavy" de Scott Redford

"I don't like art that begins with the assumption that we know better than them: meaning that art has something more meaningful to say about the world. The meaning of the world is already there in the world in abundance. 'What you see is what you see' as they say." - Scott Redford

quinta-feira, julho 24, 2008

redrum

"O vento irrompeu novamente em rajadas, obrigando-o a piscar os olhos e, entretanto, a sombra junto da paragem dos autocarros desvanecera-se... se é que alguma vez lá estivera. Ficou à janela durante (um minuto? uma hora?) ainda mais tempo, mas nada mais aconteceu. Até que por fim se esgueirou novamente para dentro da cama, puxou os cobertores para o queixo e ficou a observar as sombras que o lampião da rua projectava intrusamente, a transformar-se numa selva sinuosa repleta de plantas carnívoras que apenas procuravam envolvê-lo, arrebatar-lhe a vida, e arrastá-lo até ao mais fundo de uma enorme escuridão, onde reluzia a vermelho uma palavra sinistra: Redrum."

Quem leu o livro ou viu o filme sabe o que quer dizer "redrum"... Se não for o seu caso, deixo-vos uma pista: trata-se de um anagrama em inglês. Alguém arrisca?

Texto: Excerto de "The Shining" de Stephen King
Imagem: Fotograma do filme "The Shining" de Stanley Kubrick

sexta-feira, julho 18, 2008

Óleo Sobre Tela (XVII)

Frida Kahlo - "Henry Ford Hospital" (1932)

domingo, julho 13, 2008

Cahiers Du Cinéma Portugais (IV)

"A Janela (Maryalva Mix)
de Edgar Pêra
(2001)



Experimental e xunga.
Uma "cine-pharsa" obrigatória de Edgar Pêra.

"Eu com a gaja dentro de uma panela de caldeirada.
Tás a ver... A mocar e a comer caldeirada."
por António

quarta-feira, julho 09, 2008

MiNiMaL aRt (VII)

"Telephone Boxes" de David Mach
(1989)

sábado, julho 05, 2008

"O casamento no fundo é isto, duas pessoas sem alma para cozinhar e nada para dizer partilhando peúgas em detergente e frangos de churrasco".

"A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes

quarta-feira, julho 02, 2008

"Mal passou o espectro do Dilúvio,
Na Casa Grande, com vidraças ainda escorrendo, crianças de luto olharam as imagens maravilhosas,
A Senhora *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões celebraram-se nos cem mil altares da Catedral.
Cobertas negras e órgãos - raios e trovão, - venham para o alto e rolai; - Águas e tristezas, cresçam e alteai os Dilúvios."



Texto: "Iluminações e Poemas" de Arthur Rimbaud
Imagem: "The Morning after the Deluge" de William Turner (1843)

terça-feira, junho 24, 2008

Sounds N' Musics

John Cage (1912-1992) foi um dos primeiros compositores que impulsionou a música "avant-garde" nos Estados Unidos da América. (Atrevo-me mesmo a dizer no Mundo). Neste disco, "Sonatas and Interludes for Prepared Piano" mostra-nos o interesse de Cage no budismo e hinduísmo - uma distinção magistral entre as emoções do "branco e preto" (por vezes interpretadas no piano com a ajuda de parafusos, pinos, plásticos e borrachas) centradas num verdadeiro oceano de tranquilidade.


John Cage - Sonatas and Interludes for Prepared Piano
Piano: Boris Berman

01: Sonata I
02: Sonata II
03: Sonata III
04: Sonata IV
05: First Interlude
06: Sonata V
07: Sonata VI
08: Sonata VII
09: Sonata VIII
10: Second Interlude
11: Third Interlude
12: Sonata IX
13: Sonata X
14: Sonata XI
15: Sonata XII
16: Fourth Interlude
17: Sonata XIII
18: Sonatas XIV and XV Gemini (After Richard Lippold)
19: Sonata XVI

sexta-feira, junho 20, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIII)


Título:
Corre Lola Corre (Lola Rennt)
Ano: 1998 (Alemanha)
Realização: Tom Tykwer
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 131)

segunda-feira, junho 16, 2008

Óleo Sobre Tela (XVI)

Max Slevogt - "Totentanz" (1896)

quinta-feira, junho 12, 2008

Viagens Na Minha Terra

"Pleure"!

Foto tirada no Barreiro por Mr. Lynch

domingo, junho 08, 2008

Argumento Adaptado: La Princesse De Clèves

"Quelque dangereux que soit le parti que je prends, je le prends avec joie pour me conserver digne d’être à vous. Songez que pour faire ce que je fais, il faut avoir plus d’amitié et plus d’estime pour un mari que l’on n’en a jamais eu : conduisez-moi, ayez pitié de moi, et aimez-moi encore, si vous pouvez."



O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira

quinta-feira, junho 05, 2008

Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa

Até há relativamente pouco tempo, desconhecia esta tradução de Fernando Pessoa (1888 - 1935) do poema "The Raven" (O Corvo) de Edgar Allan Poe (1809 - 1849). Incrível como até, numa mera tradução, se consegue vislumbrar a mestria de Fernando Pessoa.



"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»


Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!


Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».


E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.


A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.


Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»


Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.


E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».


Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».


Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».


A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».


Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».


Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!


Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!», eu disse.
«Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste!
Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!"


Tradução de "The Raven" de Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa
Imagem: Albrecht Dürer da série "The Raven"