segunda-feira, setembro 29, 2008

Foto À Minuta (X)

"Montgomery Clift... Glamour Boy In Baggy Pants" de Stanley Kubrick
(1949)

sábado, setembro 20, 2008

"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.
Le consentiment. Le consentiment.
E, na verdade, quantas vezes o amor desfaz o casamento..."

Texto: Paul Claudel - "Le Solier de Satin"
Imagem: Roy Lichtenstein - "Kiss V"

segunda-feira, setembro 15, 2008

Óleo Sobre Tela (XIX)

Jean Honoré Fragonard
"O Ferrolho" - 1778

Madonna: Sticky and Sweet em Lisboa

Ontem uns amigos ofertaram-me um bilhete-surpresa para o concerto da Madonna. Chegámos escassos minutos antes do início (eram cerca das 21:00h) e após algumas deambulações pelo parque da Bela Vista, lá conseguimos encontrar um local propício (dentro do razoável) ao visionamento. Após o concerto fiquei com uma certeza: pode-se gostar ou não da Madonna, mas ela sabe como dar um espectáculo!

Este foi o meu momento favorito; "Devil Wouldn't Recognize You", uma das poucas baladas que Madonna interpretou. De resto, (e como diria a «malta nova»), «foi sempre a bombar»!).

Foto: De e proveniente do telemóvel pobrezinho do Mr. Lynch...
Vídeo: Encontrado no Youtube

sábado, setembro 06, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIV)

Título: Sexo, Mentiras e Video (Sex, Lies and Videotape)
Ano: 1989
Realização: Steven Soderbergh
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 3067)

quarta-feira, setembro 03, 2008

Foto À Minuta - V

"Afghan Girl"
de Steve McCurry (1984)

sábado, agosto 30, 2008

Music N' Sounds

Uakti era um ser que vivia nas margens do Rio Negro na Amazónia, Brasil. O seu corpo encontra-se trespassado por furos que, ao serem atravessados pelo vento, emitiam sons que encantavam as mulheres da tribo Tukano. Os homens da tribo perseguiram Uakti e mataram-o. No local onde este ser foi enterrado nasceram palmeiras que os índios usam para fazer flautas. O som destas flautas é inconfundível: é o som que o o corpo de Uakti emitia.

Se esta história é apenas uma lenda, o grupo Uakti é bem real. Formado em 1978, os Uakti rapidamente ganharam uma grande legião de admiradores. O seu som único (constituído por instrumentos musicais construídos pelos membros do grupo) fizeram-nos trabalhar com musicos tais como Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Paul Simon e com o compositor Philip Glass.
A minha sugestão musical vai para o disco "Águas da Amazónia", uma composição de Philip Glass. Em 1993 Philip Glass é comissionado pelo Grupo Corpo para compôr uma peça para ballet. O compositor escolheu o grupo Uakti para executar a sua obra "Águas da Amazónia - Sete ou Oito Peças para Ballet". O arranjo das composições para os instrumentos do grupo foi entregue a Marco Antônio Guimarães (o líder do grupo) que se tornou no primeiro músico que efectuou arranjos na música de Philip Glass. Em 1999 foi editado "Águas da Amazónia".

01: Tiquie River
02: Japura River
03: Negro River
04: Madeira River
05: Purus River
06: Tapajos River
07: Paru River
08: Xingu River
09: Amazon River
10: Metamorphosis 1

segunda-feira, agosto 25, 2008

"Eu a feri-la ferindo-me. Apetecia-me bater-lhe como se me batesse."

Texto: Extracto de "A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes
Imagem: "O Macaco Vermelho Bate na Mulher" (1981) de Paula Rego

sexta-feira, agosto 22, 2008

.

Considerava-me imortal; soube, com horrível violência, que o não era. Ter passado o que passei alterou-me por completo a existência e suponho que modificou também o que produzo. Os médicos não tratam: tornam a dar-nos a eternidade sob a forma de um infinito futuro, isto é uma porção limitada de dias que apesar de tudo acreditamos, contra a evidência, não terminar nunca. Agora tenho essa eternidade. Por quanto tempo não sei; o silêncio rodeia-nos por toda a parte, quer dizer, a ameaça dele. Não podemos deixar que ele nos assuste. Gastei meses a encostar o ouvido à terra do meu corpo, tenso, à espera. Agora não: fico de pé na minha teimosa precariedade.

António Lobo Antunes
Extracto de "Morto Cobrido de Amor" in "Visão" de 7 de Julho

segunda-feira, agosto 18, 2008

MiNiMaL aRt (VIII)

"Pont Neuf Emballé" de Christo
(1975)

sábado, agosto 09, 2008

sexta-feira, agosto 08, 2008

Óleo Sobre Tela (XVIII)

1 2
3
Francis Bacon
"Três Estudos para Figuras na Base de uma Crucifixação" - 1944
(tríptico; 1 - painel esquerdo; 2 - painel central; 3 - painel direito)

quarta-feira, agosto 06, 2008

Frases Famosas (XI)

"Se perdermos a guerra, não me preocupa que as pessoas nela morram. Não verterei uma única lágrima".

Bruno Ganz como Adolf Hitler em "Der Untergang" (2004)

domingo, agosto 03, 2008

segunda-feira, julho 28, 2008

Foto À Minuta - IV

"Bricks Are Heavy" de Scott Redford

"I don't like art that begins with the assumption that we know better than them: meaning that art has something more meaningful to say about the world. The meaning of the world is already there in the world in abundance. 'What you see is what you see' as they say." - Scott Redford

quinta-feira, julho 24, 2008

redrum

"O vento irrompeu novamente em rajadas, obrigando-o a piscar os olhos e, entretanto, a sombra junto da paragem dos autocarros desvanecera-se... se é que alguma vez lá estivera. Ficou à janela durante (um minuto? uma hora?) ainda mais tempo, mas nada mais aconteceu. Até que por fim se esgueirou novamente para dentro da cama, puxou os cobertores para o queixo e ficou a observar as sombras que o lampião da rua projectava intrusamente, a transformar-se numa selva sinuosa repleta de plantas carnívoras que apenas procuravam envolvê-lo, arrebatar-lhe a vida, e arrastá-lo até ao mais fundo de uma enorme escuridão, onde reluzia a vermelho uma palavra sinistra: Redrum."

Quem leu o livro ou viu o filme sabe o que quer dizer "redrum"... Se não for o seu caso, deixo-vos uma pista: trata-se de um anagrama em inglês. Alguém arrisca?

Texto: Excerto de "The Shining" de Stephen King
Imagem: Fotograma do filme "The Shining" de Stanley Kubrick

sexta-feira, julho 18, 2008

Óleo Sobre Tela (XVII)

Frida Kahlo - "Henry Ford Hospital" (1932)

domingo, julho 13, 2008

Cahiers Du Cinéma Portugais (IV)

"A Janela (Maryalva Mix)
de Edgar Pêra
(2001)



Experimental e xunga.
Uma "cine-pharsa" obrigatória de Edgar Pêra.

"Eu com a gaja dentro de uma panela de caldeirada.
Tás a ver... A mocar e a comer caldeirada."
por António

quarta-feira, julho 09, 2008

MiNiMaL aRt (VII)

"Telephone Boxes" de David Mach
(1989)

sábado, julho 05, 2008

"O casamento no fundo é isto, duas pessoas sem alma para cozinhar e nada para dizer partilhando peúgas em detergente e frangos de churrasco".

"A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes

quarta-feira, julho 02, 2008

"Mal passou o espectro do Dilúvio,
Na Casa Grande, com vidraças ainda escorrendo, crianças de luto olharam as imagens maravilhosas,
A Senhora *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões celebraram-se nos cem mil altares da Catedral.
Cobertas negras e órgãos - raios e trovão, - venham para o alto e rolai; - Águas e tristezas, cresçam e alteai os Dilúvios."



Texto: "Iluminações e Poemas" de Arthur Rimbaud
Imagem: "The Morning after the Deluge" de William Turner (1843)

terça-feira, junho 24, 2008

Sounds N' Musics

John Cage (1912-1992) foi um dos primeiros compositores que impulsionou a música "avant-garde" nos Estados Unidos da América. (Atrevo-me mesmo a dizer no Mundo). Neste disco, "Sonatas and Interludes for Prepared Piano" mostra-nos o interesse de Cage no budismo e hinduísmo - uma distinção magistral entre as emoções do "branco e preto" (por vezes interpretadas no piano com a ajuda de parafusos, pinos, plásticos e borrachas) centradas num verdadeiro oceano de tranquilidade.


John Cage - Sonatas and Interludes for Prepared Piano
Piano: Boris Berman

01: Sonata I
02: Sonata II
03: Sonata III
04: Sonata IV
05: First Interlude
06: Sonata V
07: Sonata VI
08: Sonata VII
09: Sonata VIII
10: Second Interlude
11: Third Interlude
12: Sonata IX
13: Sonata X
14: Sonata XI
15: Sonata XII
16: Fourth Interlude
17: Sonata XIII
18: Sonatas XIV and XV Gemini (After Richard Lippold)
19: Sonata XVI

sexta-feira, junho 20, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIII)


Título:
Corre Lola Corre (Lola Rennt)
Ano: 1998 (Alemanha)
Realização: Tom Tykwer
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 131)

segunda-feira, junho 16, 2008

Óleo Sobre Tela (XVI)

Max Slevogt - "Totentanz" (1896)

quinta-feira, junho 12, 2008

Viagens Na Minha Terra

"Pleure"!

Foto tirada no Barreiro por Mr. Lynch

domingo, junho 08, 2008

Argumento Adaptado: La Princesse De Clèves

"Quelque dangereux que soit le parti que je prends, je le prends avec joie pour me conserver digne d’être à vous. Songez que pour faire ce que je fais, il faut avoir plus d’amitié et plus d’estime pour un mari que l’on n’en a jamais eu : conduisez-moi, ayez pitié de moi, et aimez-moi encore, si vous pouvez."



O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira

quinta-feira, junho 05, 2008

Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa

Até há relativamente pouco tempo, desconhecia esta tradução de Fernando Pessoa (1888 - 1935) do poema "The Raven" (O Corvo) de Edgar Allan Poe (1809 - 1849). Incrível como até, numa mera tradução, se consegue vislumbrar a mestria de Fernando Pessoa.



"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»


Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!


Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».


E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.


A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.


Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»


Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.


E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».


Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».


Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».


A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».


Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».


Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!


Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!», eu disse.
«Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste!
Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».


E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!"


Tradução de "The Raven" de Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa
Imagem: Albrecht Dürer da série "The Raven"

sábado, maio 31, 2008

Óleo Sobre Tela (XV)

"Viajante junto ao Mar de Neblina"
de Casper David Friedrich
(1818)

segunda-feira, maio 26, 2008

O Sr. Lynch... Again and Again and... Again!

Dia 29, quinta-feira, 21h30, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro...

"Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito"

Pela primeira vez vou assistir a esta obra do Sr. Lynch no grande ecrã.

terça-feira, maio 20, 2008

"Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca de outrem navegados,
Pròsperamente os ventos assoprando,
Quando ira noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Ũa nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo.
Bramindo, o negro mar de lomge brada,
Como se desse em vão nalgum rochedo.
- «Ó Potestade - disse - sublimada,
Que ameaço divino ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?»

Não acabavan quando ũa figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-me que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
C'um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mim e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo."

Texto: "Os Lusíadas", Canto V, 37-40 de Luís de Camões
Imagem: "Colossus" de Goya

sexta-feira, maio 16, 2008

A Não Perder...

Peter Greenaway. Este nome é por si só sinónimo de ida obrigatória ao cinema.
Estreou no passado dia 7 "A Ronda da Noite", a mais recente obra deste realizador britânico. Nesta obra, Greenaway dá a sua visão muito pessoal sobre o quadro "A Ronda da Noite" de Rembrandt. Não podemos esquecer que o realizador é também um pintor, logo não é um leigo no campo pictórico. Podemos discordar da tese apresentada no filme sobre "A Ronda da Noite" (ou, «j'accuse de Rembrandt», como Greenaway a apelidou) mas o filme... esse é belíssimo.
Aliás, outra coisa não se pode esperar de Peter Greenaway...



terça-feira, maio 13, 2008

MiNiMaL aRt (VI)

"Beer Can Penis" de Sarah Lucas
(1999)

sexta-feira, maio 09, 2008

À Conversa Com... Paula Rego

Paula Rego explica-nos o seu tríptico "Vanitas". Esta obra teve como ponto de partida um conto de Almeida Faria e encontra-se na Fundação Calouste Gulbenkian.


.


Para quem não se encontra familiarizado com a linguagem artística, vanitas é um conceito que provém do latim e que significa "vaidade" ou "vazio", é uma natureza-morta na qual uma série de objectos simboliza a mortalidade do ser humano e a transitoriedade das conquistas e dos prazeres terrenos.

(Insisto: Very good Mrs. Rego! Very good indeed!)

terça-feira, maio 06, 2008

"À La Mer" (REDUX)

"Les cheveux épars, les sens foudroyés, je remonte dans le temps recherchant les empreintes de tes pieds. Une voix traînante, imprégnée de lumière, me dit que des gens sont morts lors des guerres des colonies. Des bateaux sur la mer et des mères qui pleuraient, voilà les lambeaux d' un passé tristement oubliés, pour des rêves sans lendemain, des chimères illusoires, des fantômes ahuris par leurs propres phantasmes. Sous un soleil de plomb, tes lèvres du Maghreb, ta peau mâte, m' ensorcellent paisiblement, à tout jamais, sous les miroitements de l' eau qui frétille, sous ce vent enragé par des amours contrariés.Assise sur un rocher, les pieds dans le sable, c' est la mer qui divague, avec ses vagues insolentes, qui me narguent, riantes, sous les lambeaux du passé."

Texto: Claudia
Imagem: Fotograma de "Sous le Sable"

sexta-feira, maio 02, 2008

Cahiers Du Cinéma Portugais (III)

"A Mulher Que Acreditava Ser
Presidente dos Estados Unidos da América"
de João Botelho
(2003)
Muitos críticos de cinema afirmaram que o filme "A Bomba" (2002) de Leonel Vieira tinha tanta piada como um pingo de solda num olho. Pois "A Mulher Que Acreditava Ser Presidente Dos Estados Unidos Da América" encontra-se no mesmo patamar. Porém, uma frase proferida pela presidente (Alexandra Lencastre), salva o filme da catástofe total:

"Eu sou a presidente dos Estados Unidos da América, posso fazer o que quiser!"

Digam lá se João Botelho não conseguiu reproduzir na perfeição o ego dos presidentes norte-americanos...

terça-feira, abril 29, 2008

Óleo Sobre Tela (XIV)

Philip Pearlstein - "Male and Female Models Reclining"

sábado, abril 26, 2008

Sounds N' Musics

Este disco teve início quando o Teatro alla Scala (Milão) encomendou uma ópera-ballet infantil. Esta encomenda juntou dois grandes artistas: o compositor Philip Glass e o designer, ilustrador e escritor Beni Montresor (falecido em 2001 e a quem esta obra é dedicada).
Beni Montresor escreveu a história e o libretto da ópera e Philip Glass orquestrou-a. "Le Streghe di Venezia"; "The Witches of Venice" ou "As Bruxas de Veneza" em português, é o título desta obra que conta a história do Plant-Boy, um menino que busca uma amiga semelhante a ele, numa Veneza povoada por fadas, bruxas e monstros.
É interessante verificar como Philip Glass deu corpo instrumental a esta história. O compositor compôs musicas criativas e canções memoráveis que captam toda a dimensão fantástica da história de Beni Montresor.
Este disco, editado em "hard cover", traz consigo a história e o libretto da ópera e as ilustrações de Beni Montresor. Uma obra fundamental.


1. The Lagoon
2. The Philosophers Have Arrived
3. No Solution
4. The Fairies
5. "Life Is Hard"
6. "I'm Not a Fool"
7. The Plant Boy's Song
8. The Witches Rush In
9. The Wind Blows
10. The Witches Palace
11. Inside the Palace
12. Ghosts and Skeletons!
13. The Ogre
14. Ogre's Song
15. Plant-Boy Flees
16. Dance of the Witches
17. Witch Mother
18. Gondolas Bringing Guests
19. "Away Pigeon, Away"
20. Plant-Boy's Tears
21. In the Chandelier
22. Glorious Escape!
23. A Happy Ending
24. Life Is Hard, A Good Red Wine

domingo, abril 20, 2008

Foto À Minuta (III)

"Piss Christ" de Andres Serrano
1989

quinta-feira, abril 17, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XII)

Título: Dogville
Ano: 2003
Realização: Lars Von Trier
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 947)

sábado, abril 12, 2008

Frases Famosas (X)

"Desejaria não te amar... ou te amar muito menos."

por

Vittoria (Monica Vitti) em "O Eclipse" (1962)
de Micheangelo Antonioni

segunda-feira, abril 07, 2008

Óleo Sobre Tela (XIII)

Max Ernst - Pietà (1923)

quinta-feira, abril 03, 2008

" I
Entra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores de cereal,
aos utensílios
que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore,
a chama do candeeiro.

II
As outras duas luzes
são lisas, ofuscantes;
lembram a cal, o zinco branco
nas pedreiras;
ou nos umbrais
de cantaria aparelhada; bruscamente;
a arder; há o mesmo
branco na lâmpada do tecto;
o mesmo zinco
nas máquinas que voam
fabricando o incêndio; e assim,
por toda a parte,
a mesma cal mecânica
vibra os seus cutelos.

III
Ao alto; à esquerda;
onde aparece
a linha da garganta,
a curva distendida como
o gráfico dum grito;
o som é impossível; impede-o pelo menos
o animal fumegante;
com o peso das patas, com os longos
músculos negros, sem esquecer
o sal silencioso
no outro coração:
por cima dele, inútil; a mão desta
mulher de joelhos
entre as pernas do touro.

IV
Em baixo, contra o chão
de tijolo queimado,
os fragmentos duma estátua;
ou o construtor da casa
já sem fio de prumo,
barro, sestas pobres? quem
tentou salvar o dia,
o seu resíduo
de gente e poucos bens? opor
à química da guerra,
aos reagentes dissolvendo
a construção, as traves,
este gládio,
esta palavra arcaica?

V
Mesa, madeira posta
próximo dos homens pelo corte
da plaina,
a lixa ríspida,
a cera sobre o betume, os nós,
e dedos tacteando
as últimas rugosidades;
morosamente; com o amor
do carpinteiro ao objecto
que nasceu
para viver na casa;
no sítio destinado há muito;
como se fosse, quase,
uma criança da família.

VI
O pássaro; a sua anatomia
rápida; forma cheia de pressa
que se condensa
apenas o bastante
para ser visível no céu,
sem o ferir;
modelo doutros voos: nuvens;
e vento leve, folhas,agora, atónito, abre as asas
no deserto da mesa;
tenta gritar às falsas aves
que a morte é diferente:
cruzar o céu com a suavidade
dum rumor e sumir-se.

VII
Cavalo, reprodutor
de luz nos prados, quando
respira, os brônquios;
dois frémitos de soro; exalam
essa névoa
que o primeiro sol transforma
numa crina trémula
sobre pastos e éguas; mas aqui
marcou-o o ferro
dos lavradores que o anjo ignora;
e endureceu-o de tal modo
que se entrega;
como as bestas bíblicas;
ao tétano, ao furor.

VIII
Outra mulher: o susto
a entrar no pesadelo;
oprime-a o ar, e cada passo
é apenas peso: seios
donde os mamilos pendem,
gotas duras
de leite e medo; quase pedras;
memória tropeçando
em árvores, parentes,
num descampado vagaroso;
e amor também:
espécie de peso que produz
por dentro da mulheros mesmos passos densos.

IX
Casas desidratadas
no alto forno; e olhando-as,
momentos antes de ruírem,
o anjo desolado
pensa: entre detritos
sem nenhum cerne ou água,
como anunciar
outra vez o milagre das salas;
dos quartos; crescendo cisco
a cisco, filho a filho?
as máquinas estranhas,
os motores com sede, nem sequer
beberam o espírito das minhas casas;
evaporaram-no apenas.

X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa."

Poema: "Descrição da Guerra em Guernica" de Carlos de Oliveira
Imagem: "Guernica" de Pablo Picasso (1937)

domingo, março 30, 2008

Frases Ditas II

"O cinema pornográfico não existe.
Nos filmes pornográficos não há cinema."

Catherine Breillat



Imagem: "Romance X" (1999) de Catherine Breillat

quarta-feira, março 26, 2008

Títulos Da Minha Videoteca Privada (XI)


Título: Twin Peaks
Ano: 1990
Realização: David Lynch; Lesli Linka Glatter; Caleb Deschanel; Duwayne Dunham; Tim Hunter, Todd Holland e Tina Rathborne
Edição em DVD: Paramount (cópia nr. 2517)

sexta-feira, março 21, 2008

"Coitados!... Os passos daquele que ainda hoje talvez se despediu de vós contando voltar a encontrar-vos poucas horas depois não tornarão a medir o caminho da casa em que o esperam; a sua voz não responderá mais à voz que o chame; os seus olhos nunca mais se embeberão nos olhos que o fitavam; os seus lábios não voltarão outra vez a aproximar-se dos lábios que se colavam nos dele! Eu não choro a tua memória, porque não te conheço, porque nunca nos encontrámos, porque não sei quem és. Mas não quero insultar a dor que adeja sobre a tua morte, deixando-me dormir na mesma casa em que jazes insepulto, enquanto alguém te espera vivo no mundo."


Eça de Queirós; O Mistério da Estrada de Sintra

domingo, março 16, 2008

Óleo Sobre Tela (XII)

Paul Cézanne - The Bathers (1890-91)

terça-feira, março 11, 2008

Cahiers Du Cinéma Portugais (II)

"Mal"
de Alberto Seixas Santos
1999


"Não me mataste... Mataste-nos."
Cathy (Pauline Cadell)

sexta-feira, março 07, 2008

Para Que A Memória Nunca Esqueça...

... é necessário ver e rever os nossos erros do passado. Sim, nossos. Todos nós somos, de certa forma, culpados...
É talvez por isso que "Nuit et Brouillard" ("Noite e Nevoeiro", em português) realizado por Alain Resnais em 1956, é um documento tão importante da história recente da Humanidade.
Fui hoje à Cinemateca assistir (mais uma vez) à projecção de um dos mais poderosos filmes de sempre da história do cinema. Se não estão de acordo com esta minha avaliação é porque, de certeza, nunca assistiram a este filme. Pé ante pé, Alain Resnais esmaga-nos durante os 31 minutos de duração do filme. Pé ante pé, Alain Resnais rasga-nos o ventre durante os 31 minutos de duração do filme. Pé ante pé, Alain Resnais deixa-nos absolutamente atordoados ao fim dos 31 minutos de filme. Este não é mais um filme documental sobre o Holocausto... Este É O filme sobre o Holocausto.

Edgardo Cozarinsky escreveu sobre esta obra: "o único filme justo sobre o grande horror do século XX: menos o extermínio de um povo do que o programa e administração postos em funcionamento para o executar. Também uma meditação sobre o esquecimento natural e o trabalho da memória”.

Imagens: Fotogramas de "Nuit et Brouillard"