quinta-feira, agosto 31, 2006

È Prohibito in Nome del Padre, del Figlio e Dello Spirito Santo

Desde o início da sua brilhante carreira como cantora (numa idade muito precoce) que a mezzo-soprano Cecilia Bartoli se destacou pelo invulgar. O seu repertório de concerto abrange desde os primeiros compositores italianos até à música do início do século XX. Em álbuns anteriores resgatou árias de ópera até então esquecidas de Vivaldi, Gluck ou Salieri. No ano passado voltou a causar sensação com "Opera Proibita", com árias de várias óperas quando este género musical foi proibido pela Igreja Católica e quando foi vedado o direito de as mulheres cantarem em público. Como proibir é uma coisa e executar é outra, vários compositores continuaram a compôr árias e óperas inteiras e a ocultá-las. Cecilia Bartoli resolveu então gravar um álbum com algumas dessas árias. Neste extraordinário disco, encontramos trabalhos "prohibitos" de três compositores; George Handel (1685-1759), Alessandro Scarlatti (1660-1725) e Antonio Caldara (1670-1736). Porém, este disco é mais do que um simples álbum de Cecilia Bartoli... Destacam-se árias de Alessandro Scarlatti e Antonio Caldara até à data nunca antes gravadas. Eu, um fã absoluto desta admirável cantora e como sou um pecador (afinal, sou humano [mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!]), ainda a Fnac não tinha disposto o disco nas suas prateleiras já eu o por lá procurava...

segunda-feira, agosto 28, 2006

Filmes Que Causam Fobias - I

Filme em questão: A Mão que Embala o Berço (The Hand That Rocks the Cradle)
Ano: 1992
Fobia: Às amas (nome técnico desconhecido ou inexistente)
Gerador da Fobia: Peyton Flanders (Rebecca De Mornay)
Razão: Peyton Flanders tenta roubar o filho do casal Bartel eliminando, se necessário for, todos os opositores
Frase a Reter: "The hand that rocks the cradle is the hand that rules the world" (Marlene Craven)

sábado, agosto 26, 2006

O bebé Samuel gosta de Philip Glass

Como é possível não gostar de Philip Glass? Vejam o êxtase que o bebé Samuel sente ao ouvir "Pruit Igoe"...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Parabéns River Phoenix

Se River Phoenix fosse vivo completaria hoje 36 anos. Este actor e músico (protagonista de um dos "filmes da minha vida"), reconhecido pela crítica como possuidor dos olhos mais misteriosos da história do cinema, faleceu com apenas 23 anos.
River Phoenix, the flame of your memory still burning. Goodbye and see you around...

segunda-feira, agosto 21, 2006

Virginia Woolf Said...

"Nunca se sentiu tão feliz como nesse momento! Sem trocar uma palavra, tinham feito as pazes. Caminharam na direcção do lago. Foram vinte minutos de perfeita felicidade. A voz dela, o seu riso, o seu vestido (algo de flutuante, vermelho e branco), o seu sentido de humor, de aventura; ela fez com que todos desembarcassem para explorar a ilha; espantou uma galinha, riu, cantou. E durante todo esse tempo, sabia-o ele perfeitamente, Richard Dalloway estava a apaixonar-se por ela, e ela por ele; mas isso parecia não ter importância. Nada tinha importância. Sentaram-se no chão a conversar - ele e Clarissa. Percorriam sem qualquer dificuldade, a mente um do outro. E depois, num segundo, tudo acabou. Disse para si próprio ao regressarem ao barco; «Ela vai casar com este homem»; sentia-se triste, mas sem ressentimento, era óbvio. Dalloway ia casar com Clarissa."
Texto: Excerto de "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf traduzido por José Miguel Silva
Imagem: Esboço de "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf que se encontra na British Library

terça-feira, agosto 15, 2006

La Beauté Russe

Wassily Kandinsky (1866-1944) foi um dos primeiros criadores do abstracto-puro na pintura moderna. Após as suas primeiras exposições com trabalhos "avant garde" ele dedicou-se inteiramente à pintura abstracta. O seu estilo inconfundível passou do fluído e orgânico para o geométrico e finalmente para o pictórico. Kandinsky era também músico e dizia que a cor era um teclado, os olhos a harmonia e a alma um piano. "O artista é a mão que toca numa tecla ou em outra de forma a causar vibrações na alma".
IMAGEM: "Gelb - Rot - Blau" (1925) em exposição no Musée National d'Art Moderne, Centro Georges Pompidou; Paris

domingo, agosto 13, 2006

A Metamorfose de um "Scary Movie"

Na Sexta-Feira tive a visita de um dos meus afilhados. À noite, impossibilitados de permanecermos no jardim à beira Tejo devido aos insectos que este ano parece terem resolvido ampliar a família de forma descomunal, fomos até a um centro comercial. Numa das quatro salas de cinema existentes no dito centro comercial um filme chamou a atenção do meu afilhado e de alguns filhos de alguns amigos; "Pular a Cerca". Resolvemos então aceder aos pedidos das criancinhas e fomos todos assistir ao filme. Enquanto eu comprava uma garrafa de água e fumava um cigarro, eu quase não conseguia acreditar que estava disposto a ir assistir a um filme de animação. Confesso; vi e gostei de "Belleville Rendez-Vous", mas filmes como "Shrek" (verdadeiros "scary movies" que vão ao ponto de utilizarem a flatulência como humor), é sinónimo de bocejos constantes e de buscas desesperadas a tentar verificar as horas dentro da sala escura do cinema.
Após as "previews" de alguns filmes que estavam nas outras salas ou que vão estrear brevemente, o filme começou. "Boring!", pensei. Porém, eis que, uns 10 minutos depois, o filme começou a captar a minha atenção. Para encurtar a história: eu ri mais que todas as crianças no cinema (pois elas eram cerca de 50% dos espectadores presentes). A história lida nas entrelinhas é delirante! O que pensariam os animais selvagens (se eles raciocinassem, como é óbvio) se tivessem contacto connosco e contacto com a nossa existência. Eu até escolhi o meu personagem favorito: o esquilo Hammy (na figura). Aqui fica uma das suas frases mais repetidas:
Hammy: But I thought I liked the cookie...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Heautontimoroumenos

Gosto bastante dos trabalhos do poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867). Escritor maldito, viu o seu livro "Les Fleurs du Mal", apreendido acusado por ultrajar a moral pública. Este mês faz 139 anos que Baudelaire faleceu. Aqui fica um dos 100 poemas que o livro contém (que infelizmente só possuo taduzido em inglês por Richard Howard).
"No rage, no rancor:
I shall beat you as butchers fell an ox,
as Moses smote the rock in Horeb - I shall make you weep,
and by the waters of affliction my desert will be slaked.
My desire, that hope has made monstrous, will frolic in your tears
as a ship tosses on the ocean -in my besotted heart
your adorable sobs will echo like an ecstatic drum.
For I - am I not a dissonance in the divine accord,
because of the greedy Irony which infiltrates my soul?
I hear it in my voice - that shrillness, that poison in my blood!
I am the sinister glass in which the Fury sees herself!
I am the knife and the wound it deals,
I am the slap and the cheek,
I an the wheel and the broken limbs,
hangman and victim both!
I am the vampire at my own veins,
one of the great lost horde
doomed for the rest of my time,
and beyond, to laugh - and smile no more."

sábado, agosto 05, 2006

Ennio Morricone + Yo-Yo Ma = Harmonia Perfeita

Este é um daqueles discos que, apesar de o já ter adquirido à algum tempo, tenho sempre por perto. Se apreciam a música (de bandas sonoras de filmes) de Ennio Morricone e/ou se gostam do Sr. do Violoncelo Yo-Yo Ma, este é um álbum obrigatório. Yo-Yo Ma executa algumas das mais famosas partituras que Morricone compôs para o cinema, tais como "Cinema Paradiso", "Malena", "Once Upon a Time in America", "The Untouchables" ou "The Legend of 1900". Se forem como eu, que não aprecio transcrições livres, não há problema: esse processo foi efectuado com a ajuda do próprio Morricone (que também dirigiu a Roma Sinfonietta Orchestra na gravação deste álbum), logo, nenhuma música foi adulterada. Um regalo para os sentidos.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Artistas Portugueses: "We Gotta Get Out of This Place"

"Não se pode ser pároco nesta freguesia", lá diz o povo e com muita sabedoria... Que digam os artistas portugueses! As irmãs Maria e Inês de Medeiros (actrizes e realizadoras) estudaram na Universidade de Sorbonne em Paris e por "terras de França" ficaram (e em parte trabalham)... A pintora Paula Rego estudou na Slade School em Londres (Reino Unido) e tem uma "casinha germinada e acolhedora" em "terras de sua majestade"... Manoel de Oliveira, um homem do Porto, "vai-se aguentando por cá", mas cada vez mais os seus filmes são rodados e apreciados no estrangeiro... Agora foi a pianista Maria João Pires que resolveu fazer a trouxa e abandonar o seu país natal... Mas afinal o que andamos nós a fazer aos nossos artistas? Quando será que a nossa visão artística chegará para abranger estes grandes visionários que se sentem tão maltratados no seu próprio país? Quando já não houver artistas aqui?
Passagens de uma carta aberta de Maria João Pires à Antena 2: A pianista afirma que pode continuar a trabalhar no seu Centro para o Estudo das Artes em Belgais mesmo "sem gostar de Portugal". Ela assumiu-se "vitima de uma verdadeira tortura" e resolveu emigrar para o Brasil para se "salvar dos malefícios" que Portugal lhe fizera. Maria João Pires afirmou que o Centro de Belgais não tem patrocinadores privados e que provavelmente nunca terá "num país como Portugal, que se comporta sem algum interesse pelas gerações futuras nem por projectos que incentivem valores morais, solidariedade, educação, amizade e camaradagem. Ao inverso Portugal preocupa-se com sensacionalismo, mentira, intriga, conflito e consumismo".
Desculpem a transposição destas palavras de Maria João Pires e este meu desabafo! Quando eu comecei a escrever neste blog tentei nunca tomar partido de ninguém. Jurei que iria apenas descrever algumas situações com a máxima neutralidade e isenção. Só que quando o tema é a cultura... eu defendo o meu ponto de vista com "unhas e dentes". Podem não estar de acordo comigo (e aceitarei as vossas criticas se aqui as quiserem dispor), mas aqui fica a minha reflexão. E já que não me podem matar duas vezes; remato: penso que o melhor é o país fechar para remodelação (com avisos e tudo) e reflectirmos o que andamos a fazer à nossa cultura e aos nossos artistas.

sábado, julho 29, 2006

Saint Of The Pit

Diamanda Galás... No seu melhor

quarta-feira, julho 26, 2006

If You Forget Me

"I want you to know one thing.
You know how this is:
if I look
at the crystal moon, at the red branch
of the slow autumn at my window,
if I touch near the fire
the impalpable ash
or the wrinkled body of the log,
everything carries me to you,
as if everything that exists,
aromas, light, metals,
were little boats
that sail
toward those isles of yours that wait for me.

Well, now,
if little by little you stop loving me
I shall stop loving you little by little.
If suddenly
you forget me
do not look back for me,
for I shall already have forgotten you."

Poema: "If You Forget Me" (excerto) de Pablo Neruda
Imagem: "Paris, Texas" de Wim Wenders

quinta-feira, julho 20, 2006

Lights, Camera, Action! We're Ready For You Mr. Warhol

Minimalista, vanguardista, um génio do experimental... É assim que muitos vêm Andy Warhol, o artista plástico que impulsionou a pop-arte. Warhol não ficou apenas conhecido pelas suas pinturas. Na industria cinematográfica ele deixou a sua marca em mais de 70 filmes; ora como realizador, ora como produtor ou actor. Se filmes como "Mario Banana" (1964) ou "Eat" (1963) a duração é de 4 minutos e 45 minutos respectivamente, outras obras existem, com a duração de 6 horas e 30 minutos, tal como "Sleep" (1963) ou 1100 minutos, como "****" (1967).
Warhol teve a ideia de filmar "Sleep" quando se encontrava no hospital depois de ser alvejado por Valerie Solanas. Ele confessou a um amigo que desejava filmar Brigitte Bardot a dormir durante 8 horas. Porém, quando viu John Giorno a dormir, ele mudou de ideias. Ficámos sem saber se algum dia Brigitte Bardot aceitaria ser filmada durante o seu sono... A ideia de "Eat" surgiu quando Warhol viu Robert Indiana a comer. As directrizes ao "actor" foram simples de dar... Degustar um cogumelo durante o maior período de tempo possível. Et "voilá"! Aí temos 45 minutos de filme. Possuo estes dois filmes em meu poder, gravados por mim mesmo, em VHS, quando a sua transmissão no saudoso canal francês ARTE. Confesso porém que sou mais apreciador de Warhol como produtor do que como realizador. Numa das minhas (muitas) visitas à Fnac, encontrei uma trilogia que, tal como os filmes acima referidos, nunca pensei encontrar. Refiro-me a "Flesh" (1968), "Trash" (1970) e "Heat" (1972), realizados por Paul Morrissey e produzidos por Warhol. Estes três filmes contam com a presença de Joe Dallesandro (que se estreou em "****") e vários actores e actrizes-fetiche de quem rodeava Warhol (como por exemplo Candy Darling, Geraldine Smith ou Sylvia Miles). A edição desta trilogia, levada a cabo por uma editora italiana) está óptima (apesar de má qualidade de "Flesh" mas isso deve-se à má conservação do filme), com um disco extra cheio de documentários e entrevistas de época e actuais. Para quem gosta de Andy Warhol, uma pérola!
IMAGEM: Joe Dallesandro em "Flesh".

sexta-feira, julho 14, 2006

Frases Famosas III

Blance DuBois: I don't want realism. I want magic! Yes, yes, magic! I try to give that to people. I do misrepresent things. I don't tell truths. I tell what ought to be truth.
Ufa! Nada fácil escolher uma das inúmeras frases famosas que existem neste "A Streetcar Named Desire" de Elia Kazan (1951)

segunda-feira, julho 10, 2006

Adeus (Mundial) E Até Ao Nosso Regresso...

Parabéns à nossa equipa!
Conseguimos o 4º lugar que já não foi nada mau (se considerarmos que estávamos no 8º lugar nas expectativas mundiais).
Agora que o Mundial terminou (o "opium" do povo), chegou o momento de todos regressarmos ao dia-a-dia e encararmos de frente os problemas nacionais que durante este período pareceram estar extintos (ou será que estiveram apenas esquecidos?).
PS1: Parabéns à Itália.
PS2: Não tenho nenhum ressentimento frente aos gauleses mas sim ao árbitro Jorge Larrionda. Afinal, em termos de cultura, os franceses são o povo que mais nos respeita e apoia.

domingo, julho 09, 2006

At The Dark End Of The Street

"At the dark end of the street that is where we always meet
Hiding in shadows where we don't belong living in darkness, to hide along
You and me, at the dark end of the street.
I know a time has gonna take it's tool, we have to pay for the love we stole
It's a sin and we know it's wrong, oh, our love keeps going on strong
Steal away to the dark end of the street.
They gonna find us, they gonna find us
They gonna find us someday
You and me
At the dark end of the street
You and me..."

Poema: Andrew Strong
Imagem: "Memory" de Sergei Savchenko

quarta-feira, julho 05, 2006

As Relíquias do Comércio Tradicional

Passando pela baixa pombalina e evitando as habituais lojas que já conheço na Rua Augusta, resolvi enveredar pela Rua da Prata. Eis que, mais uma vez, me deparei a visualizar uma loja onde nunca entrara apesar do interesse que ela sempre me despertou... Uma pequena discoteca que ainda vende discos de vinil além dos habituais compact discs. Entrei. Apesar de já não ter um leitor de discos vinil razoável (o que tenho encontra-se, penso eu, irremediavelmente danificado) resolvi analisar os discos. Eis que me deparei com uma verdadeira relíquia: a banda sonora do filme "Le Mépris" de Georges Delerue. Perguntei de imediato ao funcionário se não tinha aquele disco em cd. O funcionário (que baptizei de imediato como dono da loja e penso que não me equivoquei) interrompeu uma agradável conversa com outro homem, e atendeu à minha questão. Talvez ele seja uma pessoa conhecedora das centenas de produtos que possui na sua loja ou então talvez se interesse pela música dos filmes da "nouvelle vague", pois de imediato me respondeu que não mas... disse-me que possuía um cd do Georges Delerue com algumas músicas deste excepcional filme.
A compra foi feita de imediato. Excepcional disco! Além de músicas do filme "Le Mépris", o disco contém músicas de outros intemporais filmes tais como "La Peau Douce" de François Truffaut, "Cartouche" de Philippe de Broca ou "L'Aîné des Ferchaux" de Jean-Pierre Melville. O que fiz o "velhinho" disco de vinil de 33 rotações? Depois de vaguear por ele pela pequena loja, tentando decidir se o comprava ou não (após uma dispendiosa compra na FIL e as compras ainda não tinham terminado!!!), resolvi pôr em prática um ensinamento que uma querida amiga compartilhou comigo (que por razões mais que óbvias não vou dizer qual é ;-P )... Agora procuro alguém que saiba manusear os ultrapassados gira-discos para regressar a esta lojinha tradicional e verificar se a relíquia "Le Mépris", la bande originale du film, ainda lá se encontra à minha espera... tal como me foi instruído.

sexta-feira, junho 30, 2006

I Beg Your Pardon Queen Elizabeth!

Apesar de ser monárquico moderado, apesar de adorar o país sob o comando da queen Elizabeth II (a tia Betty) e correndo o risco de ser flagelado por uma amiga que muito respeito, amanhã...
PORTUGAL!!!
Como perdão aos adeptos ingleses, aqui fica a figura como minha homenagem à "tia Betty".
IMAGEM: "Queen Elizabeth" de Andy Warhol

segunda-feira, junho 26, 2006

Panoptikon

"I have became a stranger to my own needs and desires
I look and see things that are not there.
And I ask myself
And I ask
And I ask
And I ask
And I ask
I say:

What is my name?
What is my name?
What is my name?
What is my...

What is your name, darling
What is your name, angel
What is your name, honey
What is your name, baby
What is your name, baby
What is your name, baby

Your name is that of a condemned man
Your name is that of a condemned man
You have no name

We both had knows
High school education"
Imagem: Diamanda Galás
Texto: Panoptikon; de "The Shit of God: The Texts of Diamanda Galás"

quarta-feira, junho 21, 2006

Tommyknockers, Tommyknockers will catch You!

"Ontem de madrugada e anteontem à noite,
os Tommyknockers, os Tommyknockers batiam à porta.
Eu quero ir lá fora, mas não sei se posso,
porque tenho muito medo do Tommyknocker." - Poesia tradicional dos EUA
A origem dos "Tommyknockers" é difícil de detectar. Na literatura popular dos EUA referem-se aos "Tommyknockers" como fantasmas dos mineiros que morreram nos seus locais de trabalho, mas continuam a vaguear, em busca de alimento e salvação. Ainda hoje os "Tommyknockers" são muito populares nas histórias de terror e como fonte de inspiração para muitos contos.

sábado, junho 17, 2006

Eu Conheço Esta História!

Se eu perguntar se conhecem a história do Ser-Complementar muitos dirão que não... Porém, se mencionar a obra "O Banquete" de Platão, o caso muda radicalmente. Contudo, comigo aconteceu o inverso... Em criança foi-me contada uma história que nunca esqueci. Quem a relatou tenho a certeza que nunca ouvira falar de Platão e a pessoa em questão nem sabia ler ou escrever e nunca frequentou uma escola. A história é a seguinte:
Antigamente os seres humanos eram muito diferentes do que são agora. Possuíam um corpo redondo, duas faces, quatro braços e mãos, quatro pernas e quatro pés. Estes seres eram ágeis, ambiciosos, poderosos e muito felizes. Um dia, ao desafiarem os deuses, estes incutiram-lhe um castigo; separou-os ao meio. De seguida atirou-os ao vento como se folhas se tratassem. Estes seres disformes tornaram-se muito menos ágeis, muito menos ambiciosos, perderam o seu poderio e só conseguiam ser totalmente felizes se encontrassem o seu Ser-Complementar. Nós somos os descendentes destes seres. Só poderemos ser totalmente felizes se encontrarmos a nossa Cara-Metade ou seja, o nosso Complementar. Como o encontrar? É difícil, mas os deuses dão-nos sinais; só temos que estar atentos. A cicatriz desta mutilação ainda é visível: o nosso umbigo.
Anos mais tarde, na escola, tive que estudar a obra "O Banquete" de Platão. Como sempre gostei de filosofia (área que acabei por seguir) este estudo não me foi difícil. Após a primeira parte onde Platão relata a existência dos três sexos (a saber, para quem não leu a obra, Macho [originário do Sol], Fêmea [originária da Terra] e Andrógeno [originário da Lua e com elementos próprios dos dois primeiros]), passei à fase seguinte. Foi então que me deparei com uma história muito semelhante à que relatei anteriormente. "Eu conheço esta história", pensei. Foi então que estudei a restante teoria de Platão como nenhuma outra. É claro que leitura deste filosofo não é tão acessível como a história que me foi relatada, mas o seu teor é idêntico. Quando Platão diz que "a busca pelo outro são constantes" e "na ausência do amado, a vida entra em compasso de espera, como se ele realmente levasse consigo uma parte do amado"; não é idêntica ao Ser-Complementar da história que me foi contada?
Imagem: "Adão e Eva" de Enrico Baj

terça-feira, junho 13, 2006

Frases Famosas II

Margaret Pollitt: You know what I feel like? I feel all the time like a cat on a hot tin roof.
Brick Pollitt: Then jump of the roof, Maggie. Jump of it. Cats jump off roofs and land uninjured. Do it. Jump.
Margaret Pollitt: Jump where? Into what?
Diálogo de Margaret Pollitt (Elizabeth Taylor) e Brick Pollitt (Paul Newman) de "Cat on a Hot Tin Roof" de Richard Brooks; 1958.

sexta-feira, junho 09, 2006

Reflexão de Philip Glass sobre a Música de As Horas (conclusão)

(para a minha cara amiga SGC)

(Sobre a música "Morning Passages")
"Quando ouvimos a música pela primeira vez, parece começar e parar. Quando a ouvimos outra vez, parece que não pára. É aquela sensação de manhã em que não sabemos se estamos acordados. A música faz o mesmo: pára e avança, continua e pára, e depois continua sem parar. É aquela sensação que muitos de nós temos de manhã."
(Sobre a música "The Poet Acts")
"No fim ouvimos a personagem de Virginia Woolf, Nicole Kidman, a falar de enfrentar a vida e de como ela tem de o fazer. Para ela, cometer suicídio não era um acontecimento trágico. Era um acto de vontade que completou a sua vida, de certo modo. É uma ideia que surge mais na literatura japonesa do que na ocidental. A ideia de cometer suicídio pode ser a realização de uma vida, pode ser a conclusão de uma vida. Não foi feito como acto de infelicidade desesperada, foi feito de um modo muito diferente. Por isso a música não tem de ecoar uma ideia convencional de "morte". É mais uma ideia existencial de escolha.
Não há dúvida de que o ponto de vista emocional é transmitido pela música. As imagens são surpreendentemente neutras. Não que não possuam um conteúdo emocional próprio, mas podem ser facilmente manipuladas, dependendo da música. Portanto a direcção da música influencia a apreensão da cena. Tudo o resto vem por acréscimo."

Philip Glass, compositor da banda sonora do filme "As Horas"

segunda-feira, junho 05, 2006

06/06/06 = 666

Brigas, perversidades, acidentes e até mesmo o fim do mundo são alguns dos temores daqueles que acreditam na influência negativa do dia 06/06/06 ou seja, amanhã. Porquê? Devido ao número que o dia sugere, 666, o número da besta. Para muita gente este dia está amaldiçoado.
Para a jornalista Aparecida Vieira, o dia da besta não passa de uma crença popular. Porém, ela gostaria de assistir ao filme "Omen 666", que estreia em muitos países a 06/06/06, às 00.06, e cuja trama se desenrola em redor do número 666. Segundo Juarez Castro a preocupação em relação à data não tem fundamento. Ele explica que o Apocalipse foi escrito como um enigma e que 666 é o resultado da soma de cada letra do nome César Nero em latim. O teólogo Afonso Soares também está de acordo com esta análise visto o imperador Nero ter sido um dos maiores perseguidores do Cristianismo. Ele refere que outra possível interpretação do livro é a dízima 666 que se repete indefinidamente e não chega ao 7, o número tido como perfeito.
Deseja divertir-se um pouco e verificar se o seu nome está (de certo modo) ligado ao número da besta através do quadro de 9? (6+6+6=18 ; 1+8=9)
Para constituir o quadro de 9 basta adicionar 9 a cada letra do alfabeto. [A=9] [B=18] [C=27] [D=36] [E=45] [F=54] [G=63] [H=72] [I=81] [J=90] [K=99] [L=108] [M=117] [N=126] [O=135] [P=144] [Q=153] [R=162] [S=171] [T=180] [U=189] [V=198] [W=207] [X=216] [Y=225] [Z=234].
Como se pode ver o nome Lucifer (108+189+27+81+54+45+162=666) não deixa sombra para dúvidas... Se você acreditar nestas histórias, é claro!
IMAGEM: O actor Seamus Davey-Fitzpatrick numa imagem do filme "Omen 666"

sexta-feira, junho 02, 2006

A Ajuda à Distância de um Clik

Pela segunda fez faço-vos o mesmo apelo.
O site http://www.thebreastcancersite.com é um espaço internacional que ajuda mulheres sem recursos a ter a possibilidade de fazer mamografias sem qualquer custo. Esta organização sem fins lucrativos sobrevive através da publicidade e dos produtos que vendem. São os publicitários, os ganhos obtidos dos produtos que vendem e os nossos cliques que providenciam as mamografias. Como poderão constatar não é necessário fazer nenhuma compra para ajudar os mais desfavorecidos; basta um clique. Se é esquecido como eu, podem inscrever-se e escolher uma das duas modalidades de advertência para clicar: ou de segunda a sexta-feira (para quem visita a web diariamente) ou Sábado e Domingo. Em Maio conseguimos providenciar 321 mamografias (só em cliques) mas com a ajuda de todos podemos conseguir muito mais.
Ajudem hoje quem necessita pois ninguém sabe quem amanhã poderá necessitar. Da minha parte obrigado pela vossa atenção e as mulheres necessitadas agradecem (certamente) a nossa generosidade.

terça-feira, maio 30, 2006

Reflexão de Philip Glass sobre a Música de As Horas

"É um filme sobre arte e sobre a forma como a arte afecta a vida. Gostei imediatamente do filme e achei-o extremamente interessante, com imensa qualidade, tanto no argumento como na realização, como na actuação, em tudo. É um desafio enorme para um compositor porque... Como é que a música vai funcionar nisto? E a mim pareceu-me, ao ver o filme pela primeira vez, que a música tinha de transmitir a estrutura do filme. A história é muito complicada e achei que a música desempenharia um papel muito importante no filme. Deveria torná-lo acessível e compreensível, para que as histórias não parecessem distintas mas sim ligadas. Por isso, para mim, a música tinha de ser o fio que unia o filme.
Poder-se-ia pensar que poderia ter composto uma música diferente para cada período. Eu disse que não faria assim. Escrevi a mesma música para acompanhar as três personagens. À medida que essas personagens voltam a aparecer, surgem variações desses temas e a música que se ouve é a mesma música do filme inteiro.
Eu escolhi o piano, porque queria um instrumento que fosse muito pessoal e que pudesse atravessar períodos muito fácilmente. O piano consegue fazer isso. Combinei-o com uma orquestra de cordas para lhe dar uma densidade de peso sonoro. Do mesmo modo que olhamos para trás através do tempo, olhamos para trás e para a frente ao mesmo tempo."
Philip Glass
(continua)

sexta-feira, maio 26, 2006

Jean-Luc Godard Apresenta...

Escrito e dirigido por Jean-Luc Godard, "Notre Musique" (2004) é um filme em três partes que contempla os três temas da "Divina Comédia" de Dante; Inferno, Purgatório e Paraíso. Trata-se de uma obra experimental e abstrata, onde Godard mistura a ficção com a realidade, e deseja destruir a relação imagem/texto.

Inferno: Imagens de guerra. Explosões, bombardeamentos, execuções, devastação, aldeias dizimadas. Imagens silenciosas, quatro frases, quatro peças musicais.

Purgatório: Sarajevo dos nossos dias. Personagens reais (Godard) e imaginárias (Olga). Uma visita à Ponte Mostrar (a travessia da culpa até ao perdão).

Paraíso: Olga encontra a paz à beira rio, numa pequena praia patrulhada por fuzileiros norte-americanos.

Olga Brodsky: "Se consegue compreender o que estou a dizer,
então você não está a prestar atenção."

Um filme a descobrir!

domingo, maio 21, 2006

They are in the Mood for Love

It is a restless moment.
She has kept her head lowered to give him a chance to come closer.
But he could not, for lack of courage.
She turns and walk away.
That era has passed.
Nothing that belonged to it exists anymore.
He remember those vanished years.
As though looking throught a dusty window pane,
the past is something he could see, but not touch.
And everything he sees is blurred and indistinct.
A realização de Wong Kar-Wai, as interpretações de Tony Leumg Chiu Wai e Maggie Cheung, e a música de Shigeru Umebayashi e de Michael Galasso, tornam, a meu ver, "In the Mood for Love" num filme inesquecível.

segunda-feira, maio 15, 2006

The Phantom of the Opera is There, Inside Your Mind

"Ce soir-là, qui était celui où MM. Debienne et Poligny, les directeurs démissionnaires de l'Opéra, donnaient leur dernière soirée de gala, à l'occasion de leur départ, la loge de la Sorelli, un des premiers sujets de la danse, était subitement envahie par une demi-douzaine de ces demoiselles du corp de ballet qui remontaient de scène après avoir «dansé» Polyceucte. Elles s'y précipitèrent dans une grande confusion, les unes faisant entendre des rires excessifs eu peu naturels, et les autres des cris de terreur.
La Sorelli, qui désirait être seule un instant pour «repasser» le compliment qu'elle devait prononcer tout à l'heure au foyer devant MM. Debienne et Poligny, avait vu avec méchante humeur toute cette foule étourdie se ruer derrière elle. Elle se retourna vers ses camarades et s'inquiéta d'un aussi tumultueux émoi . Ce fut la petite Jammes, - le nez cher à Grévin, des yeux de myosotis, des joues de roses, une gorge de lis, - qui en donna la raison en trois mots, d'une voix tremblante qu'étouffait l'angoisse:
«Ces't le fantôme!»"

Texto: "Le Fantôme de L'Opéra" de Gaston Leroux
Imagem: Cartaz publicitário do filme "The Phantom of the Opera" de Joel Schumacher (2004)

terça-feira, maio 09, 2006

Ser Feliz por Fernando Pessoa

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo e que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Texto: Fernando Pessoa
Imagem: "Fernando Pessoa" de Almada Negreiros

sexta-feira, maio 05, 2006

S. Crispim Day

O dia de São Crispim: este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver a este dia voltará são e salvo ao seu lar e se colocará na ponta dos pés quando se mencionará esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobreviver este dia e chegar à velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhe dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, aos mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim". Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem tudo, se lembrarão todavia com satisfação das proezas que levaram a cabo nesse dia. Então nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas como os nomes dos seus parentes: Harry, o Rei, Bedford e Exester. Warwick e Talbot. Salisbury e Gloucester. Serão ressuscitados pela recordação viva e saudades com o estalar dos copos. O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até ao fim do mundo a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada à nossa recordação. Nós, poucos; nós poucos mas felizes; nós bando de irmãos; pois aquele que verter hoje seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito da Inglaterra amaldiçoar-se-ão por não estarem aqui, e sentirão sua nobreza diminuída quando escutarem falar daqueles que combateram connosco no dia de São Crispim.

Tradução livre de "Henry V"; acto IV, Cena III de William Shakespeare

terça-feira, maio 02, 2006

My Cat is a Jellicle Cat!

Are you blind when you're born? Can you see in the dark?
Can you look at a king? Would you sit on his throne?
Can you say of your bite it's worse than your bark?
Are you cock of the walk when you're walking alone?
When you fall on your head, do you land on your feet?
Are you tense when you sense there's a storm in the air?
Do you know how to go to the Heaviside Layer?
Are you mean like a lince?
If you are you're a Jellicle cat!
Because, Jellicles are and Jellicles do
Jellicles do and Jellicles would
Jellicles would and Jellicles can
Jellicles can and Jellicles do!
We can dive throw the air like a flying trapeze!
We can turn double somersaults, bounce on a tire!
We can run up the wall, we can swing through the trees!
We can balance on bars, we can walk on a wire!
The mystical divinity of unashamed felinity
Round the cathedral rang "Vivat!"
Life to the everlasting cat!
Feline, fearless, faithful and true
To others who do what
Jellicles do and Jellicles can
Jellicles can and Jellicles do
Jellicle cats sing Jellicle chants
Jellicles old and Jellicles new
Jellicle song and Jellicle dance!
Practical cats, dramatical cats
Pragmatical cats, fanatical cats
Oratorical cats, delphioracle cats
Skeptical cats, dispeptical cats
Romantical cats, pedantial cats
Statistical cats and mystical cats
Political cats, hypocritical cats
Clerical cats, hysterical cats
Cynical cats, rabbinical cats...

Excertos da música "Jellicle Songs for Jellicle Cats" do musical de Andrew Lloyd Webber "Cats"

quinta-feira, abril 27, 2006

Silence Becomes It

"The silence came bursting through the walls that night. No chairs or tables between you and me. Instead of the usual small talk we just stayed there and waited. No movements. My eyes got used to the pale night. It was raining. Words came to my mind, but I was amazed to speak. I felt the silence bursting through me. Violently. No warnings. No needs. I closed my eyes for two seconds and suddenly we knew. There was no fear. Tomorrow was here."
DR

segunda-feira, abril 24, 2006

As Brincadeiras de Hitchcock

Era frequente Alfred Hitchcock fazer brincadeiras com o seu próprio físico, apesar de dizer sempre que era um "armário de gordura". As suas aparições nos seus próprios filmes ("cameos", falando em termos cinematográficos) são quase sempre sempre divertidas e, em muitas ocasiões, sublinham o ambiente angustiante do filme ou, pelo contrário, um contraponto humorístico. O que começou por ser uma brincadeira, passou a superstição e mais tarde a uma exigência do público. Toda a gente assistia aos seus filmes à sua procura. O problema é que poucos davam a atenção devida ao desenrolar da história. Hitchcock resolveu o problema: "Para permitir que que as pessoas vejam o final com tranquilidade, devo mostrar-me ostentivamente durante os primeiros cinco minutos do filme". A sua figura transformou-se numa marca comercial e desde o filme "O Hóspede" (1926) até ao seu derradeiro filme "Intriga em Família" (1976), o mestre fez "cameos" em todas as suas obras, excepto em "Pousada da Jamaica" (1939).
A sua aparição mais engenhosa foi em "Um Barco e Nove Destinos" (1943). Era muito complicado surgir diante da câmara quando toda a acção se desenrola num salva-vidas em pleno mar. Com o seu fino humor, confessou a Truffaut: "Devo dizer que passei longos e tensos momentos para resolver o problema. Habitualmente faço de transeunte, mas como inventar transeuntes no oceano? Tinha pensado em representar um cadáver flutuando longe do bote salva-vidas, mas tinha muito medo de me afogar. E era impossível representar um dos nove sobreviventes... Finalmente, tive uma ideia excelente. Naquela altura estava a seguir uma dieta muito rígida para perder 50 quilos, ou seja descer dos 150 para os 100. Assim, decidi imortalizar o meu emagrecimento, e conseguir o meu papelinho, posando para os fotógrafos 'antes' e 'depois'. Este papel foi um grande sucesso! É impressionante a ironia que representa este anúncio de um produto que faz emagrecer frente a um grupo de pessoas famintas e perdidas no mar".

IMAGEM: "cameo" de Alfred Hitchcock no filme "Um Barco e Nove Destinos".

quinta-feira, abril 20, 2006

Happy Birthday

Se fosse vivo Joan Miró faria hoje 113 anos.
Contemporâneo do fauvismo e do cubismo, Miró nasceu no dia 20 de Abril de 1893 em Barcelona, Espanha. Em 1912 ingressou numa escola de arte, despojado de preconceitos que os artistas da época procuravam, e estudou com vários mestres entre eles Francisco Galí. Na década de 30 seus horizontes ampliaram-se. Nas suas telas, desenhos, tapeçarias e cenários, Miró tentou sempre criar meios de expressão matafórica, descobrir sinais que representassem conceitos da natureza num sentido poético e trancendental (muito comum entre os artistas surrealistas).
Este grande mestre faleceu em Palma de Maiorca, Espanha no dia 25 de Dezembro de 1983.
IMAGEM: "Nocturne" de Joan Miró

segunda-feira, abril 17, 2006

O Plágio que se Converteu numa Obra-Prima

Quando resolveu produzir o filme "Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens" (1922) a Prana-Films nunca pensou os problemas que se adivinhavam. Após a morte de Bram Stoker, a sua esposa, Florence Stoker, encontrava-se numa péssima situação financeira e logo após a estreia deste filme, ela levou a Prana-Films a tribunal alegando plágio à obra "Drácula" da autoria do seu marido. Porém, F.W. Murnau (o realizador) tinha gasto muito dinheiro do seu próprio bolso em publicidade e recusou-se a pagar os direitos de autor, e a Prana-Films entrou em bancarrota. Pouco tempo depois todo o material (e as dividas) da Prana-Films passaram para a produtora Deutsch-Amerikansch Film Union que também se recusou a pagar a Florence Stoker a indemnização que ela exigia. Mais uma vez F.W. Murnau foi chamado a tribunal e mais uma vez, devido à pecária situação financeira em que também se encontrava, ele negou-se a gastar mais dinheiro com a sua obra. Florence Stoker foi então drástica: exigiu a destruição de todas as cópias de "Nosferatu". Em Julho de 1925 o tribunal deu a conhecer a sua sentença e todas as cópias conhecidas começaram a ser queimadas. Durante 10 anos, Florence Stoker enveredou por uma autêntica epopeia de processos e recursos, obsecada com a destruição total de "Nosferatu". Em 1937 a viúva de Stoker faleceu com a certeza de dever cumprido e durante alguns anos se pensou que este filme encontrava-se irremediavelmente perdido. Começaram então a surgir diversas cópias mas em péssimo estado de conservação. Foi encontrado também o filme "The Twelfth Four" (datado de 1930), uma versão sonora de "Nosferatu" mantida em segredo durante o processo judicial. Existem, porém, alguns problemas: algumas destas cópias duram 60 minutos e algumas 90... Existem cópias tingidas e outras não... Existem diferenças na montagem destas cópias... Apenas num ponto os estudiosos estão de acordo: na versão de F.W. Murnau a película era tingida (de sépia nas cenas diurnas e de azul nas nocturnas), pois não faz sentido ver Orlok caminhando em plena luz do dia para, no fim, ser morto devido aos raios solares. Em relação aos outros problemas existentes, ninguém sabe qual é a versão que mais se aproxima à original. Talvez com o tempo mais cópias sejam encontradas e nós possamos visualizar este grande clássico tal como o seu realizador o idealizou. Por enquanto, desfrutemos de "Nosferatu" tal como foi encontrado, restaurado e montado.

quinta-feira, abril 13, 2006

Uma Páscoa Feliz

Desejo a todos uma Páscoa muito feliz e em paz.

PS: Novos pecados aprovados pelo Vaticano (de preferência) a não cometer:
- Não ver televisão!
- Não navegar na Internet!
- Não ler jornais e sim as Sagradas Escrituras!

(Estaremos a regressar às dark ages?)

segunda-feira, abril 10, 2006

A Trilogia Incompleta: Heaven

Após a realização da fantástica trilogia dedicada às três cores da bandeira francesa "Trois Couleurs"; ("Bleu" [1993]; "Blanc" [1994] e "Rouge" [1994]), o realizador polaco Krzysztof Kieslowski sucumbiu em 1996. Em 2002 o realizador alemão Tom Tykwer (que em 1998 assinou o extraordinário "Lola Rennt") pegou num argumento deixado pelo seu colega polaco e realizou "Heaven". É perceptível que Tykwer teve um cuidado extremo ao realizar este filme, afinal, o argumento era de um grande senhor do cinema. A realização faz-nos recordar as obras de Kieslowski (longos planos com câmara estática), os actores foram escolhidos "a dedo" (onde realço a fantástica interpretação de Cate Blanchett) e o próprio Tykwer compôs a música original (auxiliada com a música não original de Arvo Pärt). Uma pequena curiosidade: "Heaven" (que em Portugal recebeu o título de "Heaven - Por Amor") seria o primeiro filme de mais uma trilogia de Krzysztof Kieslowski: "Heaven", "Hell" e "Purgatory".

quinta-feira, abril 06, 2006

Samitério das Mascotes

"Nessa noite ficou a jogar às cartas sozinho, até muito depois da meia-noite.
Acabara de dispor um novo lance quando ouviu a porta das traseiras a abrir-se.
'Fica-se dono do que se compra, e mais tarde ou mais cedo, o que se compra regressa ao dono', pensou Louis Creed.
Não se virou; limitou-se a fixar as cartas quando os passos lentos e arrastados se aproximaram. Viu a dama de espadas. Pôs-lhe a mão em cima.
Os passos pararam mesmo nas suas costas.
Silêncio.
Uma mão fria pousou no ombro de Louis. A voz de Rachel assemelhava-se a um ranger, fétido de terra.
-Querido - disse."

Excerto final de "Samitério das Mascotes" ("Pet Sematary") de Stephen King - 1982

NOTA: O título é apresentado propositamente como uma gralha, tal como no original "Cemitério das Mascotes" ou, neste caso, "Samitério das Mascotes" é o sítio onde algumas crianças do Maine vão enterrar os seus animais de estimação. Os marcos das sepulturas são toscos e a tabuleta indicativa de acesso foi escrita por essas mesmas crianças, que também pronunciam o nome à sua maneira.

segunda-feira, abril 03, 2006

Informação Fiscal

"O Dinheiro Não é Tudo!
Pode-se comprar uma cama - mas não o sono.
Pode-se comprar um relógio - mas não o tempo.
Pode-se comprar um livro - mas não o conhecimento.
Pode-se comprar uma posição - mas não o respeito.
Pode-se comprar um medicamento - mas não a saúde.
Pode-se comprar sangue - mas não a vida.
Pode-se comprar sexo - mas não o amor.
Portando, está a ver, o dinheiro não é tudo e muitas vezes até provoca dor e sofrimento. Estamos a dizer-lhe isto porque somos amigos do cidadão sofredor e queremos livrá-lo do sofrimento. Por isso, dê-nos o seu dinheiro e nós sofreremos por si!
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS"

sexta-feira, março 31, 2006

Malediction & Prayer

They're buildin' the gallows outside my cell
I got 25 minutes to go. And in 25 minutes I'll be in Hell
I got 24 minutes to go.
Well, they give me some beans for my last meal
23 minutes to go.
And you know... nobody asked me how I feel
I got 22 minutes to go.
So, I wrote to the Gov'nor... the whole damned bunch
Ahhh... 21 minutes to go.
And I call up the Mayor, but he's out to lunch
I got 20 more minutes to go.
Well, the sheriff says, "Girl I'm gonna watch you die"
19 more minutes to go.
I spit on his eye... and laughed in his face
But 18 minutes to go.
Well... I call out to the Warden to hear my plea
17 minutes to go
He says, "Call me back in a week or three
You've got 16 minutes to go."
Well, my lawyer say's he's sorry he missed my case
Mmmm... 15 minutes to go
Yeah, well if you're so sorry, come up and take my place
I got 14 minutes to go.
Here comes the preacher to save my soul
With 13 minutes to go.
And his talkin' about burnin' but I'm so damned cold
I got 12 more minutes to go.
Now they're testin' the trap and chills my spine
11 more minutes to go.
And the trap and the rope they're work just fine
But 10 more minutes to go
I'm waiting for the pardon... gonna set me free
With 9 minutes to go.
But this is for real so forget about me
Got 8 more minutes to go
And now I'm climbin up the ladder with a scaffold peg
I got 6 more minutes to go.
With my feet on the trap and my head in the noose...
5 more minutes to go.
Well somebody come and cute me loose
I got 4 more minutes to go.
I can see the mountains, I can see the sky...
3 more minutes to go...
And it's too damned pretty for a woman to die...
2 more minutes to go...
I can see the buzzards... I can see the crows...
1 more minut to go...
And now I'm swingin' and here I... gooooooooooo...

Adaptação de Diamanda Galás de "25 More Minutes to Go"

segunda-feira, março 27, 2006

O Beijo de Klimt a Emilie

Não me considero escravo do trabalho, mas nos momentos livres, gosto de pesquisar informações sobre alguns dos pintores que admiro. Confesso: aprecio Klimt mas não o suficiente para perder muito tempo a estudar as suas obras. Porém, ao encontrar certos detalhes da sua vida e obra, o meu interesse pelo seu trabalho aumentou consideravelmente. Um dos seus trabalhos mais famosos, "O Beijo" (datado de 1908), também possui uma história. Após vários trabalhos de mulheres dominadoras (que, ao que tudo indica, enfureceu o puritano público vienense, Klimt criou aqui uma mulher submissa que se oferece ao homem. Os modelos? O próprio Klimt segurando e a sua amante Emilie nos seus braços...

quinta-feira, março 23, 2006

Jorge Sampaio por Paula Rego: So What?!?

Porque razão Paula Rego anda na boca de toda a gente devido ao retrato de Jorge Sampaio? Ela fugiu à sua pincelada? (penso que não)... Ela fugiu ao estilo que tanto a caracteriza? (definitivamente, não!)... Então qual é o problema? Quem tanto a critica não conhecerá a sua obra? (talvez!)...
Em vez de se criticar tanto a face de Jorge Sampaio e as "deformações" das suas mãos, não será melhor estudar a obra no seu conjunto e "descobrir" (por exemplo) que as cores que imperam são as cores da bandeira nacional e que em cima da mesa, à esquerda do ex-presidente, se encontra o busto da República...
Mais uma vez: Very good Mrs. Rego! Very good indeed!

segunda-feira, março 20, 2006

A Certeza de ser Dalí

"Serei um génio e todo o mundo me admirará. Poderei ser pouco apreciado e incompreendido, mas serei um génio, um grande génio, porque sei que o serei." Salvador Dalí

Imagem: "Corpus Hypercubus" de Salvador Dalí - 1954

quinta-feira, março 16, 2006

My Own Private Idaho

"MIKE: I mean... I mean, for me, I could love someone even if I, you know, wasn't paid for it. I love you and... you don't pay me.
SCOTT: Mike...
MIKE: I really wanna kiss you man. Well goodnight, man. I love you through. You know that. I do love you..."

Improviso de River Phoenix (Mike) e Keanu Reeves (Scott) no filme "My Own Private Idaho" de Gus Van Sant.

terça-feira, março 14, 2006

Je tombe dans L'inexplicable... ou dans la Réalité

"Je sais que je tombe dans l'inexplicable, quand j'affirme que la réalité - cette notion si flottante -, la connaissance la plus exacte possible des êtres est notre point de contact, et notre voie d'accès aux choses qui dépassent la réalité."

Marguerite Yourcenar

sexta-feira, março 10, 2006

Metereológica

"Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter
Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas
Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)
A vida
é o livro
e o livro
não é livre
Choro
chove
mas isto é
Verlaine
Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico"


Excerto do poema "Metereológica" da autoria de Adília Lopes

segunda-feira, março 06, 2006

Dracula de Cara Lavada

Pela primeira vez em 68 anos de existência, o filme "Dracula" de Tod Browning, teve finalmente o tratamento que há muito tempo necessitava. Este intemporal clássico foi totalmente restaurado; imagem e som. Comprei o DVD e aplaudo o resultado final. Se desejarmos podemos ouvir a musica original do filme (nenhuma score, apenas algumas musicas clássicas) ou então a magnifica música que Philip Glass compôs. Eu que sou tão conservador no que respeita a "andar a mexer nos filmes clássicos"; confesso: o filme adquiriu outra dimensão com esta nova banda sonora. Um DVD para visionar, ouvir e apreciar.

quinta-feira, março 02, 2006

Les Enfants Terribles

"ELIZABETH: Paul! Paul, écoute moi. Regarde moi. Je sais que tu n'écoutes. Fais un effort. Ne lâche pas le fil. Calcule avec moi. Aditionne! Multiplie! Je t'emmène. Arrive. Arrive. Marche. Marche. Et calcule. Ne lâche pas le fil. Avance. Avance. Je joue. Je te charme. Je t'hypnotise."
Texto: Susan Marshall/Philip Glass - "Les Enfants Terribles"; baseado na obra de Jean Cocteau.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Je ne regrette Rien

"Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé"

Texto: Charles Dumont/Michel Vaucaire :: Imagem: Juliette Binoche/Denis Lavant; "Les Amants du Pont-Neuf"

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

9 formas (musicais) fáceis para apreciar a música minimalista

Para mim, após o excelente compositor Philip Glass, Steve Reich é o senhor que se segue na música minimalista. Ao deambular por uma loja Fnac procurando o álbum "Glass Cuts, Philip Glass Remixed", eis que vi este "irmão" do Reich. Excelente! Nove das mais conhecidas músicas deste compositor remixadas por vários DJ's de onde destaco Andrea Parker e Coldcut. Uma nova maneira de apreciar o minimalismo e "pá malta nova" uma forma fácil de descobrir este sub-género musical.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Acordo Justo

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra."
Mário Lago / Figura: "Relógio Mole no Momento da Primeira Explosão"; Salvador Dalí