quinta-feira, maio 07, 2009
sábado, abril 25, 2009
Cahiers Du Cinéma Portugais - VI
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, o Rádio Clube Português emite a célebre e interdita canção de Zeca Afonso, "Grândola Vila Morena". Trata-se um código combinado com o clandestino Movimento das Forças Armadas que nessa madrugada levou um grupo de capitães a executar um golpe de estado e acabar com o regime do Estado Novo. O capitão Salgueiro Maia marcha com o seu regimento sobre Lisboa, decidido a tomar a capital sem derramamento de sangue. Entretanto, Manuel, um outro veterano da guerra de África, toma com um punhado de camaradas o Rádio Clube Português que se vai transformar no centro difusor do progresso da revolução. Maia chega a Lisboa e estaciona-se no Quartel do Carmo onde espera uma reacção de Marcelo Caetano.
Título: "Capitães de Abril"
Realização: Maria de Medeiros
Produção: Jacques Bidou
Intérpretes: Stephano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Frédéric Pierrot, Fele Martinez, Luís Miguel Cintra
Ano: 1999
Edição em DVD: Lusomundo
sábado, abril 18, 2009
MiNiMaL aRt (MuSiC pHaSe) - II
segunda-feira, abril 06, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
sábado, março 28, 2009
O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - II
Comercial 2:
Comercial 3:
Vídeos: http://lynchnet.com
sexta-feira, março 13, 2009
Títulos Da Minha Videoteca (XII)
Título: Um Tempo Para Cavalos Bêbados
Realização: Bahman Ghobadi
Ano: Irão, 2000
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 415)
Indiscutivelmente um dos meus filmes predilectos.
Um dos filmes que me ajudou a descobrir o cinema do médio-oriente.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Para Ti
«Ide! Tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto a espuma, e sangue, e cântigos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.»
terça-feira, fevereiro 17, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
Cahiers Du Cinéma Portugais (V)
Baseado na obra «Schneewittchen» do escritor suisso Robert Walser, João César Monteiro assina este «Branca de Neve» em 2000, três anos antes de «Vai e Vem», a derradeira obra de um dos mais conceituados cineastas portugueses. Apesar desta obra ter gerado uma grande polémica em Portugal devido à quase inexistência de imagens, este filme foi muito bem recebido pelos críticos de todo o Mundo (mais uma vez, a excepção foi Portugal).«Filme afrontosamente teórico e consagrado à perda da luz ou às incestuosas relações imagem/som, «Branca de Neve» é sobretudo um grande filme sensual, onde a ressurreição da heroína do conto as suas hesitações entre desaparecimento doloroso e esperança de retorno, perdão e ressentimento, não são tratados senão através da matéria fílmica.» - Frédéric Bonnaud; "Les Inrockuptibles".
«Uma obra prima de síntese e de provocação às últimas consequências. Assina-a, não por acaso, um génio do cinema contemporâneo como João César Monteiro. Há no trabalho de Monteiro muito do que é hoje em dia reflexão sobre o corpo cinema. Este filme é uma magnífica lição de cinema.» - Cristina Piccino; "Il Manifesto".
"Mais do que ver, gostaria de ouvir" - Robert Walser
Vídeo e imagem: Madragoa Filmes
Post já publicado no blog "O Bar do Ossian"
segunda-feira, janeiro 26, 2009
MiNiMaL aRt (X)
terça-feira, janeiro 20, 2009
And That Is The Longing... And This Is The Book
From chaos to art
Desire the horse
Depression the cart
I sailed like a swan
I sank like a rock
But time is long gone
Past my laughing stock
My page was too white
My ink was too thin
The day wouldn't write
What the night pencilled in
My animal howls
My angel's upset
But I'm not allowed
A trace of regret
For someone will use
What I couldn't be
My heart will be hers
Impersonally
She'll step on the path
She'll see what I mean
My will cut in half
And freedom between
For less than a second
Our lives will collide
The endless suspended
The door open wide
Then she will be born
To someone like you
What no one has done
She'll continue to do
I know she is coming
I know she will look
And that is the longing
And this is the book."
Texto: "The Book of Longing" de Leonard Cohen
Imagem: Leonard Cohen
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Sugestão Musical
Alienação. Horror. Manipulação psicológica. Desespero. Sofrimento.Tudo isto se encontra em abundância no disco "Schrei X" de Diamanda Galás. No interior do disco encontramos uma advertência: tocar o disco no volume máximo pois não se trata de música ambiente. Logo após os primeiros segundos entramos no universo de Diamanda Galás, onde ela grita, geme, pratica glossolalia e arranha, arrasando-nos completamente com a sua voz que atinge uma série de três oitavas e meia. Para muitos (eu, incluído) este trabalho é um prazer auditivo; para outros tantos trata-se de uma tortura auditiva.
SCHREI XSchrei X live:
01: Do Room
02: I— I Am— Dreams
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Abasement
06: Headbox
07: Cunt
08: Hepar
09: Coitum
10: Vein
11: M Dis II
12: Smell
13: Hee Shock Die
Schrei 27:
01: Do Room
02: I I
03: M Dis I
04: O.P.M.
05: Headbox
06: Cunt
07: Hepar
08: Vein
09: M Dis II
10: Smell
11: Hee Shock Die
quinta-feira, janeiro 08, 2009
sexta-feira, dezembro 26, 2008
Uma Lição De Pintura Por Paula Rego
(vídeo: "A Dantesca Casa de Bonecas de Paula Rego" - Expresso Multimédia)
domingo, dezembro 21, 2008
sexta-feira, dezembro 19, 2008
sábado, novembro 29, 2008
In Memoriam
"Nunca mais sereium homem puro nem
impuro. Deixei de ser
quem julguei ser - um rio
independente. Agora
sou apenas uma sombra perdida
no mar de névoa
a que chamam vida."
quarta-feira, novembro 26, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XV)
"Wherever, whatever, have a nice day!"
Título: My Own Private Idaho
Ano: 1991
Realização: Gus Van Sant
Intérpretes: River Phoenix, Keanu Reeves, James Russo, Grace Zabriskie, Udo Kier
Edição em DVD: Afilm (edição belga)
terça-feira, novembro 18, 2008
Colecção 2007
domingo, novembro 16, 2008
segunda-feira, novembro 10, 2008
"É preciso fazer despertar a sensação de que a vida desliza tranquilamente. No momento em que conseguimos isso, estamos tão próximos da morte como da vida. Já não vivemos, segundo os nossos conceitos terrenos mas também já não podemos morrer, pois, com a vida, eliminamos a morte. É o momento da imortalidade, o momento em que a alma sai da estreiteza do nosso cérebro e penetra nos maravilhosos jardins da sua própria vida."Robert Musil - "O Jovem Törless"
sábado, outubro 25, 2008
sexta-feira, outubro 17, 2008
Argumento Adaptado: A Pianista
O FILME:
(Atalanta Filmes)
O livro: "A Pianista" de Elfriede Jelinek
O filme: "A Pianista" de Michael Haneke
terça-feira, outubro 14, 2008
Óleo Sobre Tela (XX)
Encontra-se patente no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio dos Anjos em Algés, uma retrospectiva da obra de Paula Rego. Desde os anos 50 até à actualidade, são 73 as obras apresentadas nesta exposição. Uma excelente oportunidade para ver a evolução da artista ao longo do tempo.
sábado, outubro 11, 2008
Prémio Dardos

Segundo o procedimento, aqui vão as explicações de atribuição do prémio:
''Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que de alguma forma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.
O Prêmio Dardos tem certas regras:
1. Aceitar exibir a distinta imagem (que está ao lado direito desta tela).
2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3. Escolher quinze 15 blogs para entregar o "Prêmio Dardos. "
Apesar de existirem muitos blogues que certamente merecem este prémio, apenas tive oportunidade de escolher 15. De uma forma inteiramente aleatória, aqui estão, aqueles tais blogues que se encontram sempre presentes na minha lista de leitura:
Crónicas da Peste de Klatuu o Embuçado
O Senhor Lynch Em Menos De 1 Minuto - I
"Gucci by Gucci"
- Anúncio publicitário realizado por David Lynch -
quinta-feira, outubro 02, 2008
Colecção 2005/2006
Durante os quase três anos de existência deste blog, várias foram as obras pictóricas que aqui publiquei. Aqui estão compiladas as apresentadas entre 2005/2006.
segunda-feira, setembro 29, 2008
sábado, setembro 20, 2008
"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.Le consentiment. Le consentiment.
E, na verdade, quantas vezes o amor desfaz o casamento..."
Texto: Paul Claudel - "Le Solier de Satin"
segunda-feira, setembro 15, 2008
Madonna: Sticky and Sweet em Lisboa
Ontem uns amigos ofertaram-me um bilhete-surpresa para o concerto da Madonna. Chegámos escassos minutos antes do início (eram cerca das 21:00h) e após algumas deambulações pelo parque da Bela Vista, lá conseguimos encontrar um local propício (dentro do razoável) ao visionamento. Após o concerto fiquei com uma certeza: pode-se gostar ou não da Madonna, mas ela sabe como dar um espectáculo!Este foi o meu momento favorito; "Devil Wouldn't Recognize You", uma das poucas baladas que Madonna interpretou. De resto, (e como diria a «malta nova»), «foi sempre a bombar»!).
Foto: De e proveniente do telemóvel pobrezinho do Mr. Lynch...
Vídeo: Encontrado no Youtube
sábado, setembro 06, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIV)
Título: Sexo, Mentiras e Video (Sex, Lies and Videotape)
Ano: 1989
Realização: Steven Soderbergh
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 3067)
quarta-feira, setembro 03, 2008
sábado, agosto 30, 2008
Music N' Sounds

Se esta história é apenas uma lenda, o grupo Uakti é bem real. Formado em 1978, os Uakti rapidamente ganharam uma grande legião de admiradores. O seu som único (constituído por instrumentos musicais construídos pelos membros do grupo) fizeram-nos trabalhar com musicos tais como Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Paul Simon e com o compositor Philip Glass.
A minha sugestão musical vai para o disco "Águas da Amazónia", uma composição de Philip Glass. Em 1993 Philip Glass é comissionado pelo Grupo Corpo para compôr uma peça para ballet. O compositor escolheu o grupo Uakti para executar a sua obra "Águas da Amazónia - Sete ou Oito Peças para Ballet". O arranjo das composições para os instrumentos do grupo foi entregue a Marco Antônio Guimarães (o líder do grupo) que se tornou no primeiro músico que efectuou arranjos na música de Philip Glass. Em 1999 foi editado "Águas da Amazónia".
02: Japura River
03: Negro River
04: Madeira River
05: Purus River
06: Tapajos River
07: Paru River
08: Xingu River
09: Amazon River
10: Metamorphosis 1
segunda-feira, agosto 25, 2008
"Eu a feri-la ferindo-me. Apetecia-me bater-lhe como se me batesse."sexta-feira, agosto 22, 2008
.
António Lobo Antunes
segunda-feira, agosto 18, 2008
sábado, agosto 09, 2008
sexta-feira, agosto 08, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
Frases Famosas (XI)
domingo, agosto 03, 2008
MiNiMaL aRt (MuSiC pHaSe)
"Come Out"
de Steve Reich
segunda-feira, julho 28, 2008
Foto À Minuta - IV
"I don't like art that begins with the assumption that we know better than them: meaning that art has something more meaningful to say about the world. The meaning of the world is already there in the world in abundance. 'What you see is what you see' as they say." - Scott Redford
quinta-feira, julho 24, 2008
redrum
"O vento irrompeu novamente em rajadas, obrigando-o a piscar os olhos e, entretanto, a sombra junto da paragem dos autocarros desvanecera-se... se é que alguma vez lá estivera. Ficou à janela durante (um minuto? uma hora?) ainda mais tempo, mas nada mais aconteceu. Até que por fim se esgueirou novamente para dentro da cama, puxou os cobertores para o queixo e ficou a observar as sombras que o lampião da rua projectava intrusamente, a transformar-se numa selva sinuosa repleta de plantas carnívoras que apenas procuravam envolvê-lo, arrebatar-lhe a vida, e arrastá-lo até ao mais fundo de uma enorme escuridão, onde reluzia a vermelho uma palavra sinistra: Redrum."sexta-feira, julho 18, 2008
domingo, julho 13, 2008
Cahiers Du Cinéma Portugais (IV)
"Eu com a gaja dentro de uma panela de caldeirada. Tás a ver... A mocar e a comer caldeirada."
quarta-feira, julho 09, 2008
sábado, julho 05, 2008
"O casamento no fundo é isto, duas pessoas sem alma para cozinhar e nada para dizer partilhando peúgas em detergente e frangos de churrasco". "A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes
quarta-feira, julho 02, 2008
"Mal passou o espectro do Dilúvio,
Na Casa Grande, com vidraças ainda escorrendo, crianças de luto olharam as imagens maravilhosas,
A Senhora *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões celebraram-se nos cem mil altares da Catedral.
Cobertas negras e órgãos - raios e trovão, - venham para o alto e rolai; - Águas e tristezas, cresçam e alteai os Dilúvios."
Texto: "Iluminações e Poemas" de Arthur Rimbaud
Imagem: "The Morning after the Deluge" de William Turner (1843)
terça-feira, junho 24, 2008
Sounds N' Musics
John Cage - Sonatas and Interludes for Prepared PianoPiano: Boris Berman
01: Sonata I
02: Sonata II
03: Sonata III
04: Sonata IV
05: First Interlude
06: Sonata V
07: Sonata VI
08: Sonata VII
09: Sonata VIII
10: Second Interlude
11: Third Interlude
12: Sonata IX
13: Sonata X
14: Sonata XI
15: Sonata XII
16: Fourth Interlude
17: Sonata XIII
18: Sonatas XIV and XV Gemini (After Richard Lippold)
19: Sonata XVI
sexta-feira, junho 20, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIII)
Título: Corre Lola Corre (Lola Rennt)
Ano: 1998 (Alemanha)
Realização: Tom Tykwer
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 131)
segunda-feira, junho 16, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
domingo, junho 08, 2008
Argumento Adaptado: La Princesse De Clèves
O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira
quinta-feira, junho 05, 2008
Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!», eu disse.
«Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste!
Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!"


























