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domingo, junho 20, 2010

Argumento Adaptado: Carrie

"Devia ter-me matado quando ele a pôs em mim - disse, claramente. - Depois da primeira vez, antes de casarmos, jurou: nunca mais. Disse que fora apenas... um descuido. Acreditei. Caí, perdi o bebé e esse foi o juízo de Deus. Pensei que o pecado tinha sido expiado. Pelo sangue. Mas o pecado nunca morre. O pecado... nunca... morre. - Os seus olhos cintilavam. - Ao príncipio correu tudo bem. Vivemos sem pecado. Dormíamos na mesma cama, às vezes ventre com ventre, e, oh, eu sentia a presença da Serpente, mas... nunca... o fizémos... até... - Começou a sorrir cruelmente, terrivelmente. - E nessa noite vi-o a olhar-me daquele modo. Ajoelhámos a pedir forças e ele tocou-me... Naquele sítio. Naquele sítio da mulher. Mandei-o sair de casa. Esteve horas fora e eu rezei por ele. Vi-o mentalmente, a percorrer as ruas da meia-noite e a lutar com o Demónio como Jacob lutou com o Anjo do Senhor. E quando regressou o meu coração encheu-se de gratidão. Só quando ele entrou é que cheirei o uísque no seu hálito. E tomou-me. Tomou-me. Tomou-me ainda com o fedor do uísque da imunda estalagem no hálito, tomou-me... e eu gostei! - Gritou as últimas palavras, como se as atirasse ao tecto. - Gostei de toda aquela fornicação e das suas mãos nojentas em mim, EM TODA EU!"



O livro: "Carrie" de Stephen King
O filme: "Carrie" de Brian de Palma

segunda-feira, julho 13, 2009

Argumento Adaptado: As Horas

"O corpo do tordo ainda lá está (é curioso como os gatos e os cães da vizinhança não estão interessados), pequenino até mesmo para um pássaro, tão definitivamente sem vida, aqui no escuro, como uma luva perdida, este pequeno e vazio punhado de morte. Virginia pára junto dele. Agora é lixo; perdeu a beleza da tarde do mesmo modo que Virginia perdeu a sua admiração, à mesa do chá, por chávenas e casacos, do mesmo modo que o dia está a perder o seu calor. De manhã, com uma pá, Leonard recolhe pássaro, erva e rosas e deita tudo fora. Virginia pensa na muito maior quantidade de espaço que um ser ocupa na vida do que na morte, na muita ilusão de tamanho contida em gestos e movimentos, na respiração. Mortos, somos revelados nas nossas verdadeiras dimensões, que são surpreendentemente modestas. Não sentira ela, Virginia, em si mesma em espaço vazio, de uma pequenez espantosa, onde seria natural que um sentimento forte residisse?"



O livro: "As Horas" de Michael Cunningham
O filme: "As Horas" de Stephen Dalory

sexta-feira, outubro 17, 2008

Argumento Adaptado: A Pianista

O LIVRO:
"Amará o seu domador o antigo animal selvagem, hoje animal de circo? Pode ser que sim, mas não é obrigatório. Dependem ambos um do outro, de forma desesperada. Um precisa do outro para se inchar como um sapo-rei, ajudado pelas habilidades daquele à luz dos holofotes, e para o Barrabás da música, o outro precisa deste para possuir um ponto de referência no meio do caos generalizado que lhe ofusca o olhar. O animal tem de saber o que fica por cima e o que fica por baixo, senão de repente aparece a fazer o pino. Sem um treinador, o animal estaria condenado a precipitar-se desamparado em queda livre, ou a vagar à deriva no espaço e estraçalhar com dentes, garras e goelas, sem critério, tudo que se lhe cruza no caminho. Porém, assim, há sempre alguma pessoa que lhe diz o que vale a pena fruir. E o seu amo, o domador, faz estalar o chicote! Ora louva, ora castiga, é conforme. É conforme o merecimento do animal."



O FILME:

(Atalanta Filmes)


O livro: "A Pianista" de Elfriede Jelinek
O filme: "A Pianista" de Michael Haneke

domingo, junho 08, 2008

Argumento Adaptado: La Princesse De Clèves

"Quelque dangereux que soit le parti que je prends, je le prends avec joie pour me conserver digne d’être à vous. Songez que pour faire ce que je fais, il faut avoir plus d’amitié et plus d’estime pour un mari que l’on n’en a jamais eu : conduisez-moi, ayez pitié de moi, et aimez-moi encore, si vous pouvez."



O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira