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sexta-feira, agosto 03, 2007

Senses of a Director - I

Este post é dedicado ao Lord of Erewhon com agradecimentos pois foi ele que me incitou à sua concretização. Associei os meus conhecimentos a uma exaustiva pesquisa e espero da vossa parte alguma correcção ou adição das informações aqui expressas.

Friedrich Wilhelm Murnau Plumpe nasceu a 28 de Dezembro de 1888 em Biefeld, Alemanha. F. W. Murnau (como ficou internacionalmente reconhecido) foi um dos principais cineastas do expressionismo alemão, movimento que conheceu o seu apogeu na década de 20. Os seus primeiros passos no mundo do cinema foi como assistente do realizador Max Reinhardt e em 1919 rodou o seu primeiro filme; "Der Knabe in Blau" (hoje em dia dado como desaparecido pois não se conhece nenhuma cópia). Em 1922 F. W. Murnau trabalhou intensamente e lançou para o mercado quatro filmes: "Marizza", "Der Brennende Acker", "Phantom" e "Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens"; uma das suas obras mais famosas. A 11 de Março de 1931, Murnau faleceu num acidente rodoviário em Santa Barbara, Estados Unidos da América, pouco depois de terminar as gravações do filme "Tabu: A Story of the South Seas". Mais de 70 anos após a sua morte, o público da revista Entertainment Weekly elegeu-o como o 33º melhor realizador de todos os tempos.

"Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens" (1922) é provavelmente o filme mais conhecido de F. W. Murnau. Originalmente plagiado da obra "Dracula" de Bram Stoker este é o primeiro filme de vampiros da história do cinema. A controvérsia do filme nasceu logo após a sua estreia pois a viúva de Bram Stoker, Florence Stoker, reclamou o plágio efectuado por Murnau à obra do seu marido. O tribunal foi implacável e ordenou a destruição total de todas as cópias de Nosferatu. Felizmente sobreviveram algumas que começaram timidamente a surgir após a morte de Florence Stoker em 1937. Várias são as versões encontradas (umas tingidas outras não; outras de duração de 60 minutos e outras de 90) e possivelmente nenhuma reflecte completamente a obra original de Murnau.

Aqui fica a filmografia completa de F. W. Murnau:
"Der Knabe in Blau" (1919); "Satanas" (1920); "Der Bucklige und die Tänzerin" (1920); "Der Januskopf" (1920); "Abend - Nacht - Morgen" (1920); "Der Gang in die Nacht" (1921); "Sehnsucht" (1921); "Schloß Vogeloed" (1921); "Marizza" (1922); "Der Brennende Acker" (1922); "Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens" (1922; editado em Portugal pela editora Costa do Castelo com o título "Nosferatu, O Vampiro"); "Phantom" (1922); "Die Austreibung" (1923); "Die Finanzen des Großherzogs" (1924); "Der Letzte Mann (1924); "Herr Tartüff" (1926); "Faust" (1926); "Sunrise: A Song of Two Humans" (1927; editado em Portugal pela editora Costa do Castelo com o título "Aurora"); "4 Devils" (1928); "City Girl" (1930) e "Tabu: A Story of the South Seas" (1931).

segunda-feira, abril 17, 2006

O Plágio que se Converteu numa Obra-Prima

Quando resolveu produzir o filme "Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens" (1922) a Prana-Films nunca pensou os problemas que se adivinhavam. Após a morte de Bram Stoker, a sua esposa, Florence Stoker, encontrava-se numa péssima situação financeira e logo após a estreia deste filme, ela levou a Prana-Films a tribunal alegando plágio à obra "Drácula" da autoria do seu marido. Porém, F.W. Murnau (o realizador) tinha gasto muito dinheiro do seu próprio bolso em publicidade e recusou-se a pagar os direitos de autor, e a Prana-Films entrou em bancarrota. Pouco tempo depois todo o material (e as dividas) da Prana-Films passaram para a produtora Deutsch-Amerikansch Film Union que também se recusou a pagar a Florence Stoker a indemnização que ela exigia. Mais uma vez F.W. Murnau foi chamado a tribunal e mais uma vez, devido à pecária situação financeira em que também se encontrava, ele negou-se a gastar mais dinheiro com a sua obra. Florence Stoker foi então drástica: exigiu a destruição de todas as cópias de "Nosferatu". Em Julho de 1925 o tribunal deu a conhecer a sua sentença e todas as cópias conhecidas começaram a ser queimadas. Durante 10 anos, Florence Stoker enveredou por uma autêntica epopeia de processos e recursos, obsecada com a destruição total de "Nosferatu". Em 1937 a viúva de Stoker faleceu com a certeza de dever cumprido e durante alguns anos se pensou que este filme encontrava-se irremediavelmente perdido. Começaram então a surgir diversas cópias mas em péssimo estado de conservação. Foi encontrado também o filme "The Twelfth Four" (datado de 1930), uma versão sonora de "Nosferatu" mantida em segredo durante o processo judicial. Existem, porém, alguns problemas: algumas destas cópias duram 60 minutos e algumas 90... Existem cópias tingidas e outras não... Existem diferenças na montagem destas cópias... Apenas num ponto os estudiosos estão de acordo: na versão de F.W. Murnau a película era tingida (de sépia nas cenas diurnas e de azul nas nocturnas), pois não faz sentido ver Orlok caminhando em plena luz do dia para, no fim, ser morto devido aos raios solares. Em relação aos outros problemas existentes, ninguém sabe qual é a versão que mais se aproxima à original. Talvez com o tempo mais cópias sejam encontradas e nós possamos visualizar este grande clássico tal como o seu realizador o idealizou. Por enquanto, desfrutemos de "Nosferatu" tal como foi encontrado, restaurado e montado.