Mostrar mensagens com a etiqueta Virginia Woolf. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Virginia Woolf. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 13, 2009

Argumento Adaptado: As Horas

"O corpo do tordo ainda lá está (é curioso como os gatos e os cães da vizinhança não estão interessados), pequenino até mesmo para um pássaro, tão definitivamente sem vida, aqui no escuro, como uma luva perdida, este pequeno e vazio punhado de morte. Virginia pára junto dele. Agora é lixo; perdeu a beleza da tarde do mesmo modo que Virginia perdeu a sua admiração, à mesa do chá, por chávenas e casacos, do mesmo modo que o dia está a perder o seu calor. De manhã, com uma pá, Leonard recolhe pássaro, erva e rosas e deita tudo fora. Virginia pensa na muito maior quantidade de espaço que um ser ocupa na vida do que na morte, na muita ilusão de tamanho contida em gestos e movimentos, na respiração. Mortos, somos revelados nas nossas verdadeiras dimensões, que são surpreendentemente modestas. Não sentira ela, Virginia, em si mesma em espaço vazio, de uma pequenez espantosa, onde seria natural que um sentimento forte residisse?"



O livro: "As Horas" de Michael Cunningham
O filme: "As Horas" de Stephen Dalory

quarta-feira, junho 10, 2009

Páginas Soltas

"Os velhotes já se tinham ido deitar. Giles dobrou o jornal e apagou a luz. Era a primeira vez durante todo o dia que os deixavam a sós, e ambos permaneceram em silêncio. Agora, sem a presença de mais ninguém, o ódio tornava-se visível; o mesmo se passava com o amor. Era necessário que brigassem antes de se deitar; depois da briga, haveria tempo para se abraçarem. Era provável que desse abraço nascesse outra vida. Mas primeiro tinham de lutar, como os cães de caça lutam com as raposas, no coração do negrume, nos campos da noite".


Texto: Excerto de "Entre os Actos" de Virginia Woolf
Imagem: Fotograma de "À ma Soeur" de Catherine Breillat

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Mrs. Woof by Mrs. Bell

"Virginia Woolf", por sua irmã Vanessa Bell, 1912. Esta obra encontra-se na National Portrait Gallery, em Londres.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Virginia Woolf Said...

"Nunca se sentiu tão feliz como nesse momento! Sem trocar uma palavra, tinham feito as pazes. Caminharam na direcção do lago. Foram vinte minutos de perfeita felicidade. A voz dela, o seu riso, o seu vestido (algo de flutuante, vermelho e branco), o seu sentido de humor, de aventura; ela fez com que todos desembarcassem para explorar a ilha; espantou uma galinha, riu, cantou. E durante todo esse tempo, sabia-o ele perfeitamente, Richard Dalloway estava a apaixonar-se por ela, e ela por ele; mas isso parecia não ter importância. Nada tinha importância. Sentaram-se no chão a conversar - ele e Clarissa. Percorriam sem qualquer dificuldade, a mente um do outro. E depois, num segundo, tudo acabou. Disse para si próprio ao regressarem ao barco; «Ela vai casar com este homem»; sentia-se triste, mas sem ressentimento, era óbvio. Dalloway ia casar com Clarissa."
Texto: Excerto de "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf traduzido por José Miguel Silva
Imagem: Esboço de "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf que se encontra na British Library