"Keyserling atribuíra ao português uma obstinação de atitudes que não se define senão em momentos chave e que pode contradizer a rotina de uma vida inteira. No geral, ele não participa muito no fenómeno social, mas concebe-o como espectáculo, adia o compromisso, ironiza por subverter, mas não deseja modificações irreversíveis. Negoceia, pactua, envolve-se pelo sentimento nas condições mais anfibologias. Mas, de repente, já não é o cidadão solícito nem o indivíduo servil. Comete um crime ou torna-se um herói; faz tábua rasa da sua formalidade, revela-se o herege, o mação ou o homem de utopias condicionado à sua oportunidade."Texto: "Pessoas Felizes" de Agustina Bessa-Luís
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