"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.Le consentiment. Le consentiment.
E, na verdade, quantas vezes o amor desfaz o casamento..."
Texto: Paul Claudel - "Le Solier de Satin"
"Não é o amor que faz o casamento, é o consentimento.
Ontem uns amigos ofertaram-me um bilhete-surpresa para o concerto da Madonna. Chegámos escassos minutos antes do início (eram cerca das 21:00h) e após algumas deambulações pelo parque da Bela Vista, lá conseguimos encontrar um local propício (dentro do razoável) ao visionamento. Após o concerto fiquei com uma certeza: pode-se gostar ou não da Madonna, mas ela sabe como dar um espectáculo!Este foi o meu momento favorito; "Devil Wouldn't Recognize You", uma das poucas baladas que Madonna interpretou. De resto, (e como diria a «malta nova»), «foi sempre a bombar»!).
Foto: De e proveniente do telemóvel pobrezinho do Mr. Lynch...
Vídeo: Encontrado no Youtube
Título: Sexo, Mentiras e Video (Sex, Lies and Videotape)
Ano: 1989
Realização: Steven Soderbergh
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 3067)

Se esta história é apenas uma lenda, o grupo Uakti é bem real. Formado em 1978, os Uakti rapidamente ganharam uma grande legião de admiradores. O seu som único (constituído por instrumentos musicais construídos pelos membros do grupo) fizeram-nos trabalhar com musicos tais como Milton Nascimento, Manhattan Transfer, Paul Simon e com o compositor Philip Glass.
A minha sugestão musical vai para o disco "Águas da Amazónia", uma composição de Philip Glass. Em 1993 Philip Glass é comissionado pelo Grupo Corpo para compôr uma peça para ballet. O compositor escolheu o grupo Uakti para executar a sua obra "Águas da Amazónia - Sete ou Oito Peças para Ballet". O arranjo das composições para os instrumentos do grupo foi entregue a Marco Antônio Guimarães (o líder do grupo) que se tornou no primeiro músico que efectuou arranjos na música de Philip Glass. Em 1999 foi editado "Águas da Amazónia".
"Eu a feri-la ferindo-me. Apetecia-me bater-lhe como se me batesse.""Come Out"
de Steve Reich
"O vento irrompeu novamente em rajadas, obrigando-o a piscar os olhos e, entretanto, a sombra junto da paragem dos autocarros desvanecera-se... se é que alguma vez lá estivera. Ficou à janela durante (um minuto? uma hora?) ainda mais tempo, mas nada mais aconteceu. Até que por fim se esgueirou novamente para dentro da cama, puxou os cobertores para o queixo e ficou a observar as sombras que o lampião da rua projectava intrusamente, a transformar-se numa selva sinuosa repleta de plantas carnívoras que apenas procuravam envolvê-lo, arrebatar-lhe a vida, e arrastá-lo até ao mais fundo de uma enorme escuridão, onde reluzia a vermelho uma palavra sinistra: Redrum."
"O casamento no fundo é isto, duas pessoas sem alma para cozinhar e nada para dizer partilhando peúgas em detergente e frangos de churrasco". "A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes
"Mal passou o espectro do Dilúvio,
Na Casa Grande, com vidraças ainda escorrendo, crianças de luto olharam as imagens maravilhosas,
A Senhora *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões celebraram-se nos cem mil altares da Catedral.
Cobertas negras e órgãos - raios e trovão, - venham para o alto e rolai; - Águas e tristezas, cresçam e alteai os Dilúvios."
Texto: "Iluminações e Poemas" de Arthur Rimbaud
Imagem: "The Morning after the Deluge" de William Turner (1843)
John Cage - Sonatas and Interludes for Prepared Piano
Título: Corre Lola Corre (Lola Rennt)
Ano: 1998 (Alemanha)
Realização: Tom Tykwer
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 131)
O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira

Dia 29, quinta-feira, 21h30, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro...
"Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito"
Pela primeira vez vou assistir a esta obra do Sr. Lynch no grande ecrã.
Peter Greenaway. Este nome é por si só sinónimo de ida obrigatória ao cinema.
Paula Rego explica-nos o seu tríptico "Vanitas". Esta obra teve como ponto de partida um conto de Almeida Faria e encontra-se na Fundação Calouste Gulbenkian. (Insisto: Very good Mrs. Rego! Very good indeed!)
"Les cheveux épars, les sens foudroyés, je remonte dans le temps recherchant les empreintes de tes pieds. Une voix traînante, imprégnée de lumière, me dit que des gens sont morts lors des guerres des colonies. Des bateaux sur la mer et des mères qui pleuraient, voilà les lambeaux d' un passé tristement oubliés, pour des rêves sans lendemain, des chimères illusoires, des fantômes ahuris par leurs propres phantasmes. Sous un soleil de plomb, tes lèvres du Maghreb, ta peau mâte, m' ensorcellent paisiblement, à tout jamais, sous les miroitements de l' eau qui frétille, sous ce vent enragé par des amours contrariés.Assise sur un rocher, les pieds dans le sable, c' est la mer qui divague, avec ses vagues insolentes, qui me narguent, riantes, sous les lambeaux du passé."
Título: Dogville
Ano: 2003
Realização: Lars Von Trier
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 947)
" I
"Coitados!... Os passos daquele que ainda hoje talvez se despediu de vós contando voltar a encontrar-vos poucas horas depois não tornarão a medir o caminho da casa em que o esperam; a sua voz não responderá mais à voz que o chame; os seus olhos nunca mais se embeberão nos olhos que o fitavam; os seus lábios não voltarão outra vez a aproximar-se dos lábios que se colavam nos dele! Eu não choro a tua memória, porque não te conheço, porque nunca nos encontrámos, porque não sei quem és. Mas não quero insultar a dor que adeja sobre a tua morte, deixando-me dormir na mesma casa em que jazes insepulto, enquanto alguém te espera vivo no mundo."
Edgardo Cozarinsky escreveu sobre esta obra: "o único filme justo sobre o grande horror do século XX: menos o extermínio de um povo do que o programa e administração postos em funcionamento para o executar. Também uma meditação sobre o esquecimento natural e o trabalho da memória”.
Imagens: Fotogramas de "Nuit et Brouillard"