"I don't like art that begins with the assumption that we know better than them: meaning that art has something more meaningful to say about the world. The meaning of the world is already there in the world in abundance. 'What you see is what you see' as they say." - Scott Redford
segunda-feira, julho 28, 2008
Foto À Minuta - IV
"I don't like art that begins with the assumption that we know better than them: meaning that art has something more meaningful to say about the world. The meaning of the world is already there in the world in abundance. 'What you see is what you see' as they say." - Scott Redford
quinta-feira, julho 24, 2008
redrum
"O vento irrompeu novamente em rajadas, obrigando-o a piscar os olhos e, entretanto, a sombra junto da paragem dos autocarros desvanecera-se... se é que alguma vez lá estivera. Ficou à janela durante (um minuto? uma hora?) ainda mais tempo, mas nada mais aconteceu. Até que por fim se esgueirou novamente para dentro da cama, puxou os cobertores para o queixo e ficou a observar as sombras que o lampião da rua projectava intrusamente, a transformar-se numa selva sinuosa repleta de plantas carnívoras que apenas procuravam envolvê-lo, arrebatar-lhe a vida, e arrastá-lo até ao mais fundo de uma enorme escuridão, onde reluzia a vermelho uma palavra sinistra: Redrum."sexta-feira, julho 18, 2008
domingo, julho 13, 2008
Cahiers Du Cinéma Portugais (IV)
"Eu com a gaja dentro de uma panela de caldeirada. Tás a ver... A mocar e a comer caldeirada."
quarta-feira, julho 09, 2008
sábado, julho 05, 2008
"O casamento no fundo é isto, duas pessoas sem alma para cozinhar e nada para dizer partilhando peúgas em detergente e frangos de churrasco". "A Morte de Carlos Gardel" de António Lobo Antunes
quarta-feira, julho 02, 2008
"Mal passou o espectro do Dilúvio,
Na Casa Grande, com vidraças ainda escorrendo, crianças de luto olharam as imagens maravilhosas,
A Senhora *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões celebraram-se nos cem mil altares da Catedral.
Cobertas negras e órgãos - raios e trovão, - venham para o alto e rolai; - Águas e tristezas, cresçam e alteai os Dilúvios."
Texto: "Iluminações e Poemas" de Arthur Rimbaud
Imagem: "The Morning after the Deluge" de William Turner (1843)
terça-feira, junho 24, 2008
Sounds N' Musics
John Cage - Sonatas and Interludes for Prepared PianoPiano: Boris Berman
01: Sonata I
02: Sonata II
03: Sonata III
04: Sonata IV
05: First Interlude
06: Sonata V
07: Sonata VI
08: Sonata VII
09: Sonata VIII
10: Second Interlude
11: Third Interlude
12: Sonata IX
13: Sonata X
14: Sonata XI
15: Sonata XII
16: Fourth Interlude
17: Sonata XIII
18: Sonatas XIV and XV Gemini (After Richard Lippold)
19: Sonata XVI
sexta-feira, junho 20, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XIII)
Título: Corre Lola Corre (Lola Rennt)
Ano: 1998 (Alemanha)
Realização: Tom Tykwer
Edição em DVD: LNK Video (cópia nr. 131)
segunda-feira, junho 16, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
domingo, junho 08, 2008
Argumento Adaptado: La Princesse De Clèves
O livro: "La Princesse de Clèves" de Mme. de Lafayette
O filme: "La Lettre" de Manoel de Oliveira
quinta-feira, junho 05, 2008
Edgar Allan Poe por Fernando Pessoa

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!», eu disse.
«Parte! Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste!
Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!"
sábado, maio 31, 2008
segunda-feira, maio 26, 2008
O Sr. Lynch... Again and Again and... Again!
Dia 29, quinta-feira, 21h30, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro...
"Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito"
Pela primeira vez vou assistir a esta obra do Sr. Lynch no grande ecrã.
terça-feira, maio 20, 2008
Tão temerosa vinha e carregada,
Não acabavan quando ũa figura
Tão grande era de membros, que bem posso
Texto: "Os Lusíadas", Canto V, 37-40 de Luís de Camões
sexta-feira, maio 16, 2008
A Não Perder...
Peter Greenaway. Este nome é por si só sinónimo de ida obrigatória ao cinema.Estreou no passado dia 7 "A Ronda da Noite", a mais recente obra deste realizador britânico. Nesta obra, Greenaway dá a sua visão muito pessoal sobre o quadro "A Ronda da Noite" de Rembrandt. Não podemos esquecer que o realizador é também um pintor, logo não é um leigo no campo pictórico. Podemos discordar da tese apresentada no filme sobre "A Ronda da Noite" (ou, «j'accuse de Rembrandt», como Greenaway a apelidou) mas o filme... esse é belíssimo.
Aliás, outra coisa não se pode esperar de Peter Greenaway...
terça-feira, maio 13, 2008
sexta-feira, maio 09, 2008
À Conversa Com... Paula Rego
Paula Rego explica-nos o seu tríptico "Vanitas". Esta obra teve como ponto de partida um conto de Almeida Faria e encontra-se na Fundação Calouste Gulbenkian. (Insisto: Very good Mrs. Rego! Very good indeed!)
terça-feira, maio 06, 2008
"À La Mer" (REDUX)
"Les cheveux épars, les sens foudroyés, je remonte dans le temps recherchant les empreintes de tes pieds. Une voix traînante, imprégnée de lumière, me dit que des gens sont morts lors des guerres des colonies. Des bateaux sur la mer et des mères qui pleuraient, voilà les lambeaux d' un passé tristement oubliés, pour des rêves sans lendemain, des chimères illusoires, des fantômes ahuris par leurs propres phantasmes. Sous un soleil de plomb, tes lèvres du Maghreb, ta peau mâte, m' ensorcellent paisiblement, à tout jamais, sous les miroitements de l' eau qui frétille, sous ce vent enragé par des amours contrariés.Assise sur un rocher, les pieds dans le sable, c' est la mer qui divague, avec ses vagues insolentes, qui me narguent, riantes, sous les lambeaux du passé."sexta-feira, maio 02, 2008
Cahiers Du Cinéma Portugais (III)
"Eu sou a presidente dos Estados Unidos da América, posso fazer o que quiser!"
Digam lá se João Botelho não conseguiu reproduzir na perfeição o ego dos presidentes norte-americanos...
terça-feira, abril 29, 2008
sábado, abril 26, 2008
Sounds N' Musics

1. The Lagoon
2. The Philosophers Have Arrived
3. No Solution
4. The Fairies
5. "Life Is Hard"
6. "I'm Not a Fool"
7. The Plant Boy's Song
8. The Witches Rush In
9. The Wind Blows
10. The Witches Palace
11. Inside the Palace
12. Ghosts and Skeletons!
13. The Ogre
14. Ogre's Song
15. Plant-Boy Flees
16. Dance of the Witches
17. Witch Mother
18. Gondolas Bringing Guests
19. "Away Pigeon, Away"
20. Plant-Boy's Tears
21. In the Chandelier
22. Glorious Escape!
23. A Happy Ending
24. Life Is Hard, A Good Red Wine
domingo, abril 20, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XII)
Título: Dogville
Ano: 2003
Realização: Lars Von Trier
Edição em DVD: Atalanta Filmes (cópia nr. 947)
sábado, abril 12, 2008
segunda-feira, abril 07, 2008
quinta-feira, abril 03, 2008
" IEntra pela janela
o anjo camponês;
com a terceira luz na mão;
minucioso, habituado
aos interiores de cereal,
aos utensílios
que dormem na fuligem;
os seus olhos rurais
não compreendem bem os símbolos
desta colheita: hélices,
motores furiosos;
e estende mais o braço; planta
no ar, como uma árvore,
a chama do candeeiro.
II
As outras duas luzes
são lisas, ofuscantes;
lembram a cal, o zinco branco
nas pedreiras;
ou nos umbrais
de cantaria aparelhada; bruscamente;
a arder; há o mesmo
branco na lâmpada do tecto;
o mesmo zinco
nas máquinas que voam
fabricando o incêndio; e assim,
por toda a parte,
a mesma cal mecânica
vibra os seus cutelos.
III
Ao alto; à esquerda;
onde aparece
a linha da garganta,
a curva distendida como
o gráfico dum grito;
o som é impossível; impede-o pelo menos
o animal fumegante;
com o peso das patas, com os longos
músculos negros, sem esquecer
o sal silencioso
no outro coração:
por cima dele, inútil; a mão desta
mulher de joelhos
entre as pernas do touro.
IV
Em baixo, contra o chão
de tijolo queimado,
os fragmentos duma estátua;
ou o construtor da casa
já sem fio de prumo,
barro, sestas pobres? quem
tentou salvar o dia,
o seu resíduo
de gente e poucos bens? opor
à química da guerra,
aos reagentes dissolvendo
a construção, as traves,
este gládio,
esta palavra arcaica?
V
Mesa, madeira posta
próximo dos homens pelo corte
da plaina,
a lixa ríspida,
a cera sobre o betume, os nós,
e dedos tacteando
as últimas rugosidades;
morosamente; com o amor
do carpinteiro ao objecto
que nasceu
para viver na casa;
no sítio destinado há muito;
como se fosse, quase,
uma criança da família.
VI
O pássaro; a sua anatomia
rápida; forma cheia de pressa
que se condensa
apenas o bastante
para ser visível no céu,
sem o ferir;
modelo doutros voos: nuvens;
e vento leve, folhas,agora, atónito, abre as asas
no deserto da mesa;
tenta gritar às falsas aves
que a morte é diferente:
cruzar o céu com a suavidade
dum rumor e sumir-se.
VII
Cavalo, reprodutor
de luz nos prados, quando
respira, os brônquios;
dois frémitos de soro; exalam
essa névoa
que o primeiro sol transforma
numa crina trémula
sobre pastos e éguas; mas aqui
marcou-o o ferro
dos lavradores que o anjo ignora;
e endureceu-o de tal modo
que se entrega;
como as bestas bíblicas;
ao tétano, ao furor.
VIII
Outra mulher: o susto
a entrar no pesadelo;
oprime-a o ar, e cada passo
é apenas peso: seios
donde os mamilos pendem,
gotas duras
de leite e medo; quase pedras;
memória tropeçando
em árvores, parentes,
num descampado vagaroso;
e amor também:
espécie de peso que produz
por dentro da mulheros mesmos passos densos.
IX
Casas desidratadas
no alto forno; e olhando-as,
momentos antes de ruírem,
o anjo desolado
pensa: entre detritos
sem nenhum cerne ou água,
como anunciar
outra vez o milagre das salas;
dos quartos; crescendo cisco
a cisco, filho a filho?
as máquinas estranhas,
os motores com sede, nem sequer
beberam o espírito das minhas casas;
evaporaram-no apenas.
X
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa."
domingo, março 30, 2008
Frases Ditas II
Imagem: "Romance X" (1999) de Catherine Breillat
quarta-feira, março 26, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (XI)
sexta-feira, março 21, 2008
"Coitados!... Os passos daquele que ainda hoje talvez se despediu de vós contando voltar a encontrar-vos poucas horas depois não tornarão a medir o caminho da casa em que o esperam; a sua voz não responderá mais à voz que o chame; os seus olhos nunca mais se embeberão nos olhos que o fitavam; os seus lábios não voltarão outra vez a aproximar-se dos lábios que se colavam nos dele! Eu não choro a tua memória, porque não te conheço, porque nunca nos encontrámos, porque não sei quem és. Mas não quero insultar a dor que adeja sobre a tua morte, deixando-me dormir na mesma casa em que jazes insepulto, enquanto alguém te espera vivo no mundo."domingo, março 16, 2008
terça-feira, março 11, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
Para Que A Memória Nunca Esqueça...

Edgardo Cozarinsky escreveu sobre esta obra: "o único filme justo sobre o grande horror do século XX: menos o extermínio de um povo do que o programa e administração postos em funcionamento para o executar. Também uma meditação sobre o esquecimento natural e o trabalho da memória”.
Imagens: Fotogramas de "Nuit et Brouillard"
terça-feira, março 04, 2008
domingo, fevereiro 24, 2008
La Luna Incantata
A música é de Wim Mertens e a coreografia de Fabrizio Monteverde.
Perfeito...
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
A Paz Em Tempo De Guerra
"Minha querida Isabel, neste preciso momento celebra-se uma missa de corpo presente. O melhor de todos nós foi morto. Minha querida, ou Deus não existe ou é o maior cínico do Universo. Só para tu veres, o Santos, o soldado que morreu, tinha a alcunha de Padre. Queria ir para o seminário, o Jaime estava a ajudá-lo. Rezava o terço todos os dias e lia a Bíblia. Quando fomos buscar as coisas dele, encontrámo-la aberta no livro do profeta Isaías. «Brotará um rebento no tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e inteligência». Um pouco mais à frente diz: «Julgará com justiça os pobres [...] e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio.» Depois segue com estas conclusões: «E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho do leão e a nédia ovelha viverão juntos, e um menino pequeno os guiará». Isto pode ser muito bonito, minha querida, mas é a mais completa das mentiras. Estou tão revoltado, Isabel! Eu, que até pensei que me podia divertir. Mas olho para este pessoal que está na missa, acagaçado, procuro um sentido para a vida, sem que a vida tenha qualquer sentido. É o caos. E esta coisa do lobo ir morar com o cordeiro é uma grande treta. O mundo não é dos humildes nem dos mansos, é dos mais fortes, dos mais manhosos. Que raio de Deus é este que nem protege os que lhe são fiéis? Era o que a leitura parecia dizer: «Julgará com justiça os pobres e matará o ímpio». Afinal, morreu o desgraçado. Há aí uma malta que até vai comungar. Convém. Mas o único que levava a religião a sério era o Santos. E foi o primeiro a ir."Texto: Excerto de "Deixei o meu Coração em África" (2005) de Manuel Arouca.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (X)
Título: De Olhos Bem Fechados
Ano: 1999
Realização: Stanley Kubrick
Edição em DVD: Warner Home Video (cópia nr.4276)
sábado, fevereiro 09, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
Visitem estes blogues caso não os conheçam. Asseguro-vos que não se arrependerão...
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Le Roi Est Mort, Vive Le Roi
Faz hoje 100 anos desde o regicídio de Sua Majestade Fidelíssima, El-Rei D. Carlos I e sua Alteza Real, o Príncipe da Beira, Dom Luís Filipe.
Fica aqui um excerto retirado do diário de sua Alteza o Príncipe D. Manuel I que retrata os trágicos momentos daquele fatídico dia 1 de Fevereiro de 1908:
Fica aqui um vídeo (não profissional) onde se pode ouvir o "Hymno da Carta" ou seja, o hino monárquico.
Viva o Rei!
Viva Portugal!
segunda-feira, janeiro 28, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
O Cristiano Ronaldo Palestiniano
Este é o Cristiano Ronaldo palestiniano...
Excerto do filme "Intervenção Divina" de Elia Suleiman
(que recomendo vivamente)
sexta-feira, janeiro 18, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
Sugestão Musical (IX)
sábado, janeiro 12, 2008
terça-feira, janeiro 08, 2008
MiNiMaL aRt - V
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Títulos Da Minha Videoteca Privada (IX)
Título: Amadeus
Ano: 1984
Realização: Milos Forman
Edição em DVD: Warner Home Video (cópia nr. 2286)





















