"Havia também os que se apresentavam sozinhos, braços de fome, a oferecerem a nádega à seringa a troco de uma cama onde dormir, clientes habituais que o porteiro reenviava, de imperioso braço estendido à estátua de Marechal Saldanha, para as árvores do Campo de Santana que o escuro confundia numa névoa de corpos abraçados. Aqui, pensou o médico, desagua a última miséria, a solidão absoluta, o que nós próprios não aguentamos suportar, os mais escondidos e vergonhosos dos nossos sentimentos, o que nos outros chamamos de loucura que é afinal a nossa e da qual nos protegemos a etiquetá-la, a comprimi-la de grades, a alimentá-la de pastilhas e de gotas para que continue existindo, a conceder-lhe licença de saída ao fim de semana e a encaminhá-la na direção de uma «normalidade» que provavelmente consiste apenas no empalhar em vida."
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Memórias
segunda-feira, agosto 15, 2011
quarta-feira, abril 27, 2011
Óleo Sobre Tela (XXXIII)
"Pintei os traços e as cores que afectaram o meu olhar interior. Pintei de memória sem nada acrescentar, sem os pormenores que já não via à minha frente. É esta a razão da simplicidade das minhas telas, do seu óbvio vazio. Pintei as impressões da minha infância, as cores esbatidas de um dia esquecido".
domingo, abril 24, 2011
1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer (I)
Realização: Georges Méliès
Intérpretes: Victor André, Bleuette Bernon, Brunnet, Jeanne d'Alcy, Henri Dellanoy
Produção: Star Film
Origem: França, 1902
segunda-feira, abril 11, 2011
quinta-feira, março 24, 2011
A Knee Play

The day with its cares and perplexities is ended and the night is now upon us.
The night should be a time of peace and tranquility, a time to relax and be calm.
We have need of a soothing story to banish the disturbing thoughts of the day,
to set at rest our troubled minds, and put at ease our ruffled spirits.
And what sort of story shall we hear ?
Ah, it will be a familiar story, a story that is so very, very old,
and yet it is so new. It is the old, old story of love.
Two lovers sat on a park bench with their bodies
touching each other, holding hands in the moonlight.
There was silence between them.
So profound was their love for each other,
they needed no words to express it.
And so they sat in silence, on a park bench,
with their bodies touching,
holding hands in the moonlight.
Finally she spoke.
"Do you love me, John ?" she asked.
"You know I love you, darling." he replied.
"I love you more than tongue can tell.
You are the light of my life.
My sun. Moon and stars.
You are my everything.
Without you I have no reason for being."
Again there was silence as the two lovers sat on a park bench,
their bodies touching, holding hands in the moonlight.
Once more she spoke. "How much do you love me, John ?" she asked.
He answered : "How much do I love you ? Count the stars in the sky.
Measure the waters of the oceans with a teaspoon.
Number the grains of sand on the sea shore. Impossible, you say."
"Yes and it is just as impossible for me to say how much I love you."
"My love for you is higher than the heavens, deeper than Hades,
and broader than the earth. It has no limits, no bounds.
Everything must have an ending except my love for you."
There was more of silence as the two lovers sat
on a park bench with their bodies touching, holding hands in the moonlight.
Once more her voice was heard.
"Kiss me, John" she implored.
And leaning over, he pressed his lips
warmly to hers in fervent osculation...
Letra: "Knee Play 5" de "Einstein on the Beach" de Philip Glass e Robert Wilson
Música: Philip Glass
sábado, março 12, 2011
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Óleo Sobre Tela (XXXIV)
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Under The Sea Of Fog

pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.
E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.
Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.
Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.
Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta.
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior."
terça-feira, outubro 05, 2010
Óleo Sobre Tela - XXXIII
"A arte está acabada, uma vez que o artista tenha dito verdadeiramente tudo o que lhe estava no seu coração..."
domingo, setembro 26, 2010
Inside The Dream
La Monte Young não autoriza a gravação a não ser que ele seja creditado como o único compositor de "Inside the Dream Syndicate Volume 1: Day of Niagara". Marian Zaseela (sua esposa) encontra-se do seu lado. Já John Cale e Tony Conrad afirmam que a obra foi um trabalho de equipa. Angus MacLise já faleceu e por isso não pode tecer comentários.
No ano 2000 a gravação chegou ao público através de um disco com uma versão remasterizada. Porém, teve uma tiragem muito limitada e depressa desapareceu das prateleiras das lojas de especialidade. Agora (se forem amantes do minimalismo como eu), aguardemos por uma nova reedição...
domingo, agosto 22, 2010
Memórias De Um Sonhador
"E outra vez me pergunto: o que fizeste com esses anos? Onde sepultaste os teus melhores anos? Viveste ou não viveste? Olha, digo para mim, olha que frio se põe no mundo. Mais anos passarão e atrás deles virá a solidão sombria, virá com o seu cajado, a velhice tremente, e com isso a mágoa e a amargura. Tornar-se-á pálido o teu mundo fantástico, vão esmorecer os teus sonhos, murchar, cair como folhas amarelas das árvores... Que triste ficar sozinho, completamente sozinho, sem ter sequer o que lamentar - nada, absolutamente nada... porque todo o perdido era nada, um zero estúpido, nada mais que uma ilusão!"domingo, agosto 15, 2010
segunda-feira, julho 26, 2010
A Obra "Guernica"... Como Nunca A Viu
A tela (782 X 351 cms), a preto e branco, representa o bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica a 26 de Abril de 1937 por aviões alemães e está actualmente exposta no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid.
O pintor, que morava em Paris na altura, soube do massacre pelos jornais e pintou as pessoas, animais e edifícios destruídos pela força aérea nazi tal como os viu na sua imaginação.
Agora, uma artista nova-iorquina, Lena Gieseke, que domina as mais modernas técnicas de infografia digital, decidiu propor uma versão 3D da célebre obra e colocá-la na internet sob a forma de um vídeo.
O resultado é fascinante e permite-nos visualizar detalhes que de outra forma nos passariam despercebidos. Esta técnica inovadora revela-se um instrumento poderoso para compreender melhor a forma de trabalhar do pintor e até o modo como funcionava a sua imaginação.
Em conclusão: podemos ver a obra "Guernica" como nunca antes a vimos.
sábado, junho 26, 2010
domingo, junho 20, 2010
Argumento Adaptado: Carrie
O livro: "Carrie" de Stephen King
O filme: "Carrie" de Brian de Palma
sexta-feira, junho 18, 2010
sexta-feira, maio 28, 2010
sexta-feira, maio 07, 2010
In Modeling...
quinta-feira, abril 01, 2010
Páginas Soltas
"Janeiro de 1995, quinta-feira. Em roupão e de cigarro apagado nos dedos, sentei-me à mesa do pequeno-almoço onde já estava a minha mulher com a Sylvie e o António que tinham chegado na véspera a Portugal. Acho que dei os bons-dias e que, embora calmo, trazia uma palidez de cera. Foi numa manhã cinzenta que nunca mais esquecerei, as pessoas a falarem não sei de quê e eu a correr a sala com o olhar, o chão, as paredes, o enorme plátano por trás da varanda. Parei na chávena de chá e fiquei. «Sinto-me mal, nunca me senti assim», murmurei numa fria tranquilidade.
















